terça-feira, 11 de junho de 2013

Motivos (Érica)

Nevermore - Paul Gauguin


A solidão tem me tirado a calma
Me apertado o peito
me atormentado a alma
me deixado sem jeito

A indiferença tem  consumido aos poucos
os meus sentimentos mais sinceros
os meus desejos mais loucos
os meus sonhos mais ternos

A minha vida já não faz sentido
por esse mundo vou me arrastando
com um  olhar sempre perdido
e o coração desesperando

 Assim perdida vou caminhando
a  procura de algo que me dê motivo
pra continuar e querer e acreditar

e  sobreviver  e sonhar e respirar....

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Assassinato do amor (Érica)

Interior em Collioure, 1905, de Matisse


- Morreu?
- Sim...
- Foi de repente?
- Não, aos poucos.
- De morte morrida?
- Não, matada.
- Mas, por Deus, quem é o assassino?
- A indiferença.



sexta-feira, 29 de março de 2013

VIDA REAL (Érica)



                        
                                    Injustiça, impiedade, violência e muita maldade

                              Fecho os olhos para não ver tamanha crueldade

Na mídia sensacionalista, vejo sangue e muita matança

Todos morrem, independente se jovem, mulher ou criança


O afán pelo lucro fácil, o desejo de se enriquecer

Levam muita gente boa, nesse mundo a se perder

As guerras pelo poder, por território ou religião

fazem de muitos inocentes reféns dessa perversão


Mulheres são iludidas por promessas de redenção

Entregando suas vidas no meio de uma explosão

Em diferentes lugares do planeta crianças escravizadas

Em minas, canaviais e usinas, exploradas e maltratadas

 
Meninas e meninos de rua se prostituindo ou se drogando

Famintos, maltrapilhos, roubando ou mendigando

O racismo e o preconceito vão marcando e excluindo

Aos negros, aos índios e aos gays vão ferindo


Apesar de muitas lutas, passeatas e protestos conscientes

As pessoas continuam cegas, mudas, surdas e indiferentes

No mundo impera o padrão dos que se acham patrões

Maltratam e ferem pessoas com suas injustas ações


O mundo está mesmo desajustado

e eu no meu canto calado,

vou vendo:


Profissionais com licença para matar

Bandidos com direito de mandar

Pais vendendo filhos, para o pedófilo abusar

Filhos matando pais, para com a herança ficar

 
O dinheiro tudo pode, o poder tudo permite,

A mídia tudo distorce, o povo em tudo acredita

O governo não muda, a igreja não salva

A polícia não protege e a escola não educa


E eu?.... Eu vou seguindo minha vida

Como se não tivesse nada a ver com isso...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O dom de amar


La Liseuse de Jean-Jacques Henner.

Amo literatura! Consigo emocionar-me com as palavras de outrem, envolver-me com a poesia melodiosa de Florbela, encantar-me com a narração poética e surpreendente de Guimarães Rosa, fascinar-me com a linguagem ousada de Nélida Piñon, indignar-me com a injustiça lendo Galeano, encontrar-me ao degustar Pessoa, perder-me com Clarice Lispector, questionar e questionar-me com Sartre e Beauvoir, renovar-me com Quintana, enfim não resisto a uma boa obra literária.

Contudo, para mim, escrever sempre foi muito difícil. Cada palavra que escrevo parece que sai de dentro de mim arranhando-me a alma, como espinhos arranhando a pele mais sensível. Acho que escrever é dom, assim como é dom pintar, desenhar, cantar, representar, cozinhar, ensinar...

O dom é uma dádiva com a qual nem todos os mortais são agraciados. Eu não tenho o dom de escrever, aliás, não tenho nenhum dos dons que acabo de citar. Isso me intriga... Será que tenho algum dom? Gosto muito de contar histórias, mas isso não chega a ser um dom, é apenas uma maneira de viver melhor comigo mesma. Adoro ajudar ao próximo, mas não vejo isso como um dom, é antes uma obrigação de cada ser humano que acredita na construção de um mundo melhor.

Não, não consigo encontrar nada de tão especial em mim que possa aproximar-se de um “dom”. Quando eu frequentava uma determinada religião, as pessoas diziam que eu tinha o “dom da palavra”, mas eu nunca concordei muito, até porque, como eu já disse, as palavras saem de dentro de mim um tanto quanto afiadas, principalmente porque costumo dizer o que penso.

Admiro quem tem o dom de “acordar palavras” como diz Roseana  Murray, pois estes conseguem alcançar corações, transformar vidas, despertar adormecidos, libertar presos, enfim conseguem fazer os seres mais humanos. Mas pensando bem, acho que existe um dom que precede ao dom da palavra e sem o qual este tampouco existiria, falo do dom de amar, pois sem amor, as palavras não se transformariam em poesias, não cantariam a dor, não gritariam contra a maldade.

É!!... pensando bem, eu tenho um dom... Eu amo sem medida e é o amor que tenho dentro de mim que me inspira a continuar vivendo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

DIA MUNDIAL PELA DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO

Hoje, 28 de Setembro é um Dia de luta pela descriminalização do aborto e eu não poderia ficar fora dessa luta!!!!

Educação Sexual para decidir; contraceptivos para não abortar; aborto legal para não morrer!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Estrela intocável (Érica)



Já faz alguns dias que meu coração insiste em buscar-te...

Primeiro quis encontrar teus olhos no verde claro das folhagens do jardim.

Depois quis sentir o cheiro da tua pele dourada no aroma exótico da canela.

Na noite passada buscou desvendar teu mistério na lua cheia, que poderosa dominava o céu do cerrado.

No espetáculo único de um Ipê florido sob os primeiros raios da manhã, quis vislumbrar tua beleza.

Na alegria incontida das crianças que brincavam no parque, quis rever o teu sorriso.

No som dos pássaros que se encontravam para festejar o cair da tarde, quis ouvir tua doce voz.

A razão ordena ao meu coração que te esqueça, mas tal um menino atrevido e desobediente,
 ele insiste em buscar-te,

mesmo sabendo que alcançar-te é tão impossível quanto tocar uma estrela no céu.



sexta-feira, 22 de julho de 2011

Reencontrando os fantasmas (Érica)


Encontro-me na minha terra natal de onde saí com oito anos de idade e onde volto somente em raras ocasiões: velórios, aniversários, casamentos. Ocasiões em que estou sempre rodeada por muita gente e, por isso, não tenho tempo de pensar em nada. Dessa vez é diferente, vim por alguns dias, sem nada especial para fazer, então posso andar pelas ruas sem direção ou propósitos específicos. O que é interessante, quando se está acostumada a uma vida corrida e programada. O que não imaginei foi que durante essas caminhadas eu pudesse reencontrar lugares que me fizessem voltar ao tempo e relembrar coisas desses oito anos, as quais eu acreditava estarem apagadas de minha memória.

O primeiro lugar que visitei foi o bairro onde morei até os cinco anos de idade. Tive dificuldades para encontrar “minha” rua e foi inútil buscar pela casa velha de grandes janelas de madeira e mangueira no quintal. Ela não existe mais. Contudo, em minutos, vejo-me diante do velho casarão, brincando de roleman, empurrando ou sendo empurrada por outras crianças. O asfalto desaparece e vejo a larga rua avermelhada, com pequenas piscinas formadas pela chuva onde nos divertíamos felizes, mesmo sabendo que as surras seriam inevitáveis.

Do outro lado da rua, vejo o casebre de Dona Julia, cujo nome me soava como uma canção de ninar. Uma senhora de cabelos brancos, sorriso no rosto e que sempre me protegia dos severos castigos que minha mãe me impunha. Também vejo a venda de Seu Otávio, um senhor branco e barrigudo, detentor das guloseimas proibidas – diziam que eu era diabética – e da pitangueira de frutos avermelhados com os quais ele agraciava-me, compensando a falta dos doces.

Continuo caminhando e chego ao lago da cidade, rodeado por uma pista de caminhada, uma pequena praia, alguns quiosques e muita gente. Mas a lembrança que tenho é do corregozinho, em cujas águas banhávamos escondidos e sobre o qual existia uma estreita ponte de madeira, que servia de passagem entre o bairro onde vivíamos e a casa de minha avó. Pontezinha que marcou minha vida, por ter sido o lugar onde pela primeira vez senti a presença da morte, quando minha mãe tomada de fúria, por pouco não me lançou córrego abaixo, sendo eu “salva” por minha madrinha, que na ocasião também curou as feridas do meu corpo.

Também visito o bairro onde passei a viver depois da partida de minha mãe. A casa onde habitava com minha avó, tias e primos, deu lugar a um sobrado que abriga uma fármacia e outros comércios. A igreja, a qual eu costumava frequentar, continua do outro lado da rua. Moderna, já não guarda na torre o auto-falante que aos domingos me despertava anunciando o início da escola bíblica.

O lugar está diferente, mas consigo reorganizar o espaço imaginário e vejo o pequeno alpendre com pilares detrás dos quais nos escondíamos expondo caretas, com velas acesas, feitas dos mamões verdes que tinham em abundância no quintal da casa, os quais também serviam, muitas vezes, como o único acompanhamento para o arroz branco. Vislumbro a imagem de minha querida avó, fazendo sabão, pensando no que ia servir de almoço para os netos, preocupada com a tia “possuída” que vivia presa no pequeno corredor. Fecho os olhos e vejo a roda de crianças brincando de passar anel em frente à casa assombrada da esquina.

O barulho dos carros me chama de volta à realidade e, sem querer, meus olhos se detêm sobre uma casa da rua ao lado. É a casa de minha melhor amiga, meu primeiro amor, com a qual troquei as primeiras carícias. Lembro-me dos olhos castanhos, dos cabelos lisos escorrendo pela face, do sorriso infantil mostrando a troca de dentes. Tais lembranças me causam um arrepio e me dou conta de como éramos precoces. A curiosidade me instiga e caminho em direção àquela casa. Reconheço que ali ainda habita sua família, quero tocar a campainha, perguntar por ela, mas me falta coragem. Imagino-a então, não sei por que, com marido e filhos, vivendo a vida que outrora vivera sua mãe. Será que ela ainda se lembra se mim? Como saber...

Quis rever minha escola, caminho em direção a ela, acompanhada por uma menina de cabelos cacheados e dourados, de pasta marrom nas costas, pedalando sua caloi. O caminho, outrora tão longo se fez curto. A escola grande, com seu pátio enorme que servia para as corridas no saco ou ovo na colher, não passa hoje de uma minúscula escola, com um pequeno pátio cimentado cercado por um muro alto de portão pequeno trancado com cadeado. Parada em frente a esse portão busco as lembranças desse lugar, mas elas são escassas. Não me lembro da professora, acho que ela não foi boa ou má o suficiente para me marcar. Recordo-me somente que sentava na primeira carteira da última fila, perto da parede de onde ouvia os colegas chamando-me de ‘quatro olho’.

Continuo caminhando pela cidade e tenho, às vezes, a impressão de reconhecer alguns rostos; ouço sons e sinto cheiros que me parecem familiares. Em alguns lugares, encontro aquela menina de outros versos, correndo, colocando barquinhos de papel na enxurrada ou brincando de roda. Mas se olho bem, a cidade mudou e as pessoas também. Algumas se foram, deixando lembranças e saudades, outras ficaram para sempre no esquecimento. Eu cresci, sobrevivi, mudei e perdi a inocência, porém percebo que a menina triste, que reencontrei nos lugares por onde andei, sempre me acompanhará e que é ela quem me faz capaz de amar e perdoar

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Selinho

Recebi este lindo selo do blog Tudo que preciso.
Agradeço de coração o reconhecimento. Muito obrigada Glau

Regras:

1- Você poderá postar o selinho no seu blog, para que todos que passarem por lá vejam o quanto seu blog é show.
2- Indicar 5 blogs que você acha que é um show.
3- Notificar ao blog.

 Minhas indicações:

http://meninos-cor-de-rosa.blogspot.com/
http://naparededoquarto.blogspot.com/

http://lugarzito.blogspot.com/

http://lerdetudo.blogspot.com/

http://thepastimeloveme.blogspot.com/

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Desencontros (Érica)

Na vida temos encontros e desencontros...
mas o que fazer quando durante o encontro os desencontros se impõem?
Você insiste em ignorar meu olhar
Que lhe implora um pouco de atenção

Você insiste em calar meu desejo
Que continua gritando com paixão

Você vai destruindo meus sonhos
Que eu teimo alimentar em vão

Você vai matando o amor
Que eu lhe tenho no coração.