quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018


Quando a dor lhe roubar a voz: escreva!

Silêncio


No meu silêncio guardei as poesias, que não consigo mais te escrever.
No meu silêncio guardei as palavras, que não consigo mais te dizer:
No meu silêncio guardei o teu sorriso, teu olhar e teu perfume.
No meu silêncio guardei a tua pele iluminada pelo sol.
Todas as lembranças tuas, no meu silêncio escondi.

No meu silêncio guardei tuas últimas palavras escritas.
No meu silêncio guardei a dor que elas me causaram.
No meu silêncio guardei a minha tristeza e me rendi
Me escondi no meu silêncio, para não mais querer a ti.
  

sábado, 17 de fevereiro de 2018

A menina febril


Ela caminhava sobre as brasas, seus pequenos pés queimavam a cada passo, mas ela continuava. Tinha que chegar ao outro lado, onde sua mãe a esperava para acolhê-la em um aconchegante abraço. 

A menina acordou sobressaltada e com medo, seu rosto ardia em febre, chamou por sua mãe, a mesma que minutos antes nos sonhos, a esperava para abraçá-la, não houve resposta. A menina levantou-se e caminhou até o quarto da mãe, no berço ao lado da cama grande e vazia, dormia silenciosamente sua irmãzinha. Transitou pela pequena casa, por cada um dos cômodos, o contato dos seus pezinhos quentes com o chão frio, lhe causava tremor e seu coraçãozinho batia forte. Chamou de novo pela mãe em voz baixa e como resposta ouviu o silêncio desesperador da noite.

Voltou para o quarto, deitou-se na cama e sentiu um certo reconforto no abraço adormecido da outra irmã, fechou os olhos e imaginou que tudo não passava de um pesadelo.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

As meninas



As meninas eram inseparáveis. Elas tinham a mesma idade, gostavam das mesmas brincadeiras, compartiam dos mesmos medos, compartilhavam dos mesmos sonhos e guardavam os mesmos segredos.

As meninas se protegiam nos abraços uma da outra, se contavam histórias pela linguagem do olhar e não compreendiam  aquele desejo de se beijarem e de se tocarem, cada vez que estavam sozinhas.

Mas elas não precisavam compreender, bastavam com estar juntas. Elas nem sabiam o que era o amor, mas se amavam. Para elas, aquilo era simplesmente viver, por isso viviam...

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

A menina


Ela era apenas uma menina, de olhar intenso, gestos nervosos, sorriso tímido. Uma menina que gostava de soltar pipa e subir em árvores, que tinha medo do escuro e de palhaços. Uma menina que ansiava pelo retorno dele e pelo amor dela. Ela era apenas uma menina, que já sentia no próprio corpo a dor de ter nascido mulher.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

domingo, 11 de fevereiro de 2018

...



A distância física aliada à distância temporal  fazem com que consigamos lançar um outro olhar sobre os momentos vividos.   As lembranças se tornam mais aguçadas, vivas, latentes e nos levam, muitas vezes, a reviver os instantes com tanta clareza, que somos capazes de sentir novamente os toques, os cheiros, os sabores.  Acessamos tão intensamente as recordações, que sentimos o corpo arrepiar, o coração acelerar e a alma gelar...

Esses dias tenho  revivido tantos momentos bons, que parece até que, de repente, consegui abrir um baú de memórias felizes, que  ao contrário da "Caixa de Pandora" que geralmente abro, me trouxe um mar de lembranças boas, das quais faço questão de não esquecer, as quais não quero apagar da minha memória, pois são elas que me fazem lembrar que eu já vivi e que me dão esperanças de continuar vivendo.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Momentos

Na aula de hoje, tive que escolher um momento de grande felicidade para descrever e dizer o motivo de tê-lo escolhido. Foi tão difícil, afinal de contas, foram tantos e tantos momentos de grandes felicidades...

Essa aula despertou em mim  tantas recordações, me encheu de tantos pequenos grandes momentos vividos  que,  por um instante, eu fui só saudades...

Contudo, ela também me fez refletir sobre o quanto eu já vivi, sobre o quanto a  minha vida, ao longo dos meus 40 anos,  foi intensa, maravilhosa, emocionante e feliz, apesar de todos os sofrimentos. 


A vida é feita de momentos  bons e ruins e é fundamental dar a cada um deles a importância que merecem. Sobretudo, é fundamental   desfrutar dos momentos bons, como se fossem os últimos,  porque  são as lembranças deles que nos aquecerão a alma, quando nos sentirmos tristes e cansadas...  

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Frio

Sempre gostei da solidão, de estar sozinha comigo mesma, de estar calada, de andar sem rumo pelas ruas, aliás, andar sem rumo e me perder nas pequenas ruas era o que eu mais gostava de fazer em outras épocas... mas hoje senti falta, muita falta de ter alguém ao meu lado, de ver um sorriso amigo e de receber um abraço bem apertado... 

Minha necessidade de calor humano tem sido proporcional ao frio que faz lá fora, mas infelizmente não tenho conseguido me permitir aproximar-me das pessoas. Espero que essa resistência seja passageira e que eu não permita que o frio alcance meu coração.