quinta-feira, 24 de maio de 2018

EU


Sou feita de afetos, emoções, sentimentos e sensações.
Sou feita de olhares doces, misteriosos, intensos ou vagos.
Sou feita de toques delicados,  ternos, puros ou ousados.
Sou feita de aromas, de roseiras, ipês, paineiras e acácias.
Sou feita de música, de Mpb, Classic, Rap, Samba e Jazz.
Sou feita de poesia, de Cora, Adélia, Plath, Florbela, Lucinda e Anaïs.
Sou feita dela, que me ensinou a coragem e a força.
Da outra que me mostrou a dor e a contradição do amor.
Daquela que me iniciou no prazer, da outra que me mostrou o sofrer.
Sou feita daquela que me cuidou e protegeu.
Da que me amou e depois deixou, da que quase me enlouqueceu.
Sou feita daquela que me mostrou um mundo novo,
da outra que me mostrou vários mundos,
daquela que me fez encontrar meu mundo, nosso mundo.
Sou feita daquela que me aqueceu tantas vezes em seu abraço quente,
e desta que escreveu poesias nas páginas de meus dias.
Sou feita de todas, sou todas, sou várias, sou única.
Sou de todas e de nenhuma, sou minha e de mais ninguém.
Minha vida foi tecida com fios de arco-íris, depois de um dia chuvoso.
Minha história foi escrita com tintas de dores e amores, conquistas e dissabores,
Com encontros e  despedidas, com reencontros e adeuses.
Sou feita de lembranças e saudades, de recordações e esquecimentos.
Minha vida não é uma tábula rasa, minha história tem enredo complexo,
Construída por várias histórias, singulares, legítimas, perigosas ou libertadoras.
Nada, nem ninguém vai me fazer sentir culpada por nenhuma de minhas histórias.
 Cada uma foi escrita com paixão ou amor, dedicação e cuidado,
verdade e entrega, carinho e devoção, cumplicidade e atenção.
Cada uma foi escrita, sobretudo, com sentimento e consentimento.

quinta-feira, 10 de maio de 2018



Ela

Ela tem um jardim em seu olhar
e um jeito especial de abraçar.

Ela tem um arco-íris em seu sorriso
e um jeito mágico de amar.

Ela foi primavera em meu inverno,
Raio de sol que me aqueceu.

Ela foi  carinho em forma de poesias
versos devorados no vazio dos dias.


quarta-feira, 2 de maio de 2018

Paris e as quatro estações


Era inverno quando eu ali cheguei por primeira vez, há mais ou menos 15 anos. Tudo era novo, surpreendente, encantador e assustador ao mesmo tempo. Eu nunca tinha saído da minha terra, nunca tinha ido tão longe. A timidez, o medo, o frio, a língua que eu não dominava e a saudade eram os meus principais obstáculos.



Não demorou muito para que ela entrasse dentro de mim e ocupasse todos os espaços. Linda, imponente, exuberante, iluminada, diversa. Eu me apaixonei perdidamente por seus monumentos e museus,  suas praças e jardins, por suas ruas estreitas e seus grandes bulevares, por La Seine com seus bateaux mouches e seus aconchegantes Quais, pela fiel Tour Eiffel e os acolhedores marchés com seus cheiros variados de frutas maduras, peixes frescos e flores.

Com a primavera ela se tornou mais bela ainda, com os prunus cerasifera dominando os jardins do Trocadéro, o Champs de Mars ou a lateral da Notre-Dame, já no final de fevereiro; as magnólias enfeitando  o Palais Rayal, o Hotel de Ville e o Jardin du Luxembourg, no mês de março. E o que dizer dos prunus serrulata  por todos os lados no mês de abril? Me lembro especialmente do Jardin des Plantes, da Cité Universitaire e do Parc Montsouris, que eu visitava com frequência. De maio até final de junho eram os Glycines lilases quem vestiam de cor e aromas o 13ème, onde eu morava e o 14ème, onde eu estudava.

O verão chegou mostrando toda sua luz e calor com a Festa da Música no solstício de verão. No dia 21 de junho, todas as ruas, praças, metrôs se encheram de música e vida, em especial a Butte aux Cailles, "meu" bairro, com seus  bares, cafés e restaurantes. Os dias que se seguiram foram cheios de vida, com os jardins repletos de pessoas deitadas nas gramas, crianças correndo, piquenique au bord de la Seine.

E quando eu menos espero, começo a ver as folhas das árvores amarelarem e serem importadas pelo vento fresco do outono. As flores vão dando lugar a árvores de folhas amareladas e marrons que aos poucos vão cobrindo as calçadas e os jardins. O clima é ameno, suave, gostoso, aconchegante e inspirador! Descobri que o outono era, das quatro estações,  a mais linda e a minha preferida.

Na verdade, foi ela - Paris -  quem me fez conhecer e desfrutar, pela primeira vez, das estações do ano, que no Brasil, passavam desapercebidas.  Foi ela também quem me inspirou e me deu coragem para viver intensamente tudo o que o meu coração desejou viver. Nela eu tive experiências encantadoras, vivências enriquecedoras,  paixões ardentes e amores surpreendentes.  Nela, eu aprendi que as oportunidades são únicas e que eu tinha que vivê-las sem medo e sem reservas; que a vida é muito curta para viver de mentiras. Ela me mostrou que a felicidade só existe quando se tem liberdade para ser quem você realmente é. Nela eu descobri uma vida que eu nunca tinha sequer sonhado.


Precisei deixá-la, não sem uma dor forte na alma, mas a deixei com a certeza de que ela jamais me deixaria. Voltei ao Brasil diferente, transformada, mais forte, mais corajosa, mais determinada, mais consciente e, sobretudo, disposta a ser eu mesma, independente do que os outros falariam. O que ela me ensinou eu jamais esqueci e as experiências que ali vivi, ainda hoje, norteiam a minha vida e minha maneira de ser.

Já regressei várias vezes a ela, depois  desta primeira experiência que durou alguns anos. Cada vez é  uma experiência nova, surpreendente e única. Acabo de passar alguns dias nela e desta vez, como em cada uma das outras, foi como reencontrar o primeiro e único grande amor de minha vida. Foi um reencontro lindo com pessoas queridas, com as cores da primavera, com os cheiros, com os ruídos, com a agitação, os costumes, os sabores, enfim, foi um reencontro comigo mesma. Desfrutei intensamente de cada segundo, como se fosse o primeiro, o único e o último e percebi que minha paixão pela Cidade Luz é verdadeira e não acaba nunca.  

Paris, je t´aime!

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Acabou a amizade: e agora?


Já faz algum tempo que tenho me questionado sobre como nós seres humanos reagimos diante de determinadas situações, principalmente, quando o que está em cheque são as nossas emoções e nossos sentimentos. Claro que quando penso em ser humano, tenho como referências as pessoas que me rodeiam e a mim mesma.

Tenho pensado muito em como, por mais experientes que pEnsamos ser, nos sentimos fragilizados, vulneráveis, enfermos até, quando vemos se afastar de nós pessoas que nos são caras, queridas, especiais, importantes.  Como a ausência de algumas pessoas que de repente partem, sem dizer adeus, nos (me) causa uma dor quase insuportável.

Dizem que os verdadeiros amigos não  partem e que mesmo que as circunstâncias os afastem de nós, quando voltamos a vê-los percebemos que a amizade continua a mesma. E acredito nisso, porque tenho amigas com as quais passo meses sem trocar uma palavra, mas que estão sempre nas minhas lembranças e em meu coração e quando nos vemos é sempre um reencontro maravilhoso.

 Mas há pessoas, por quem nutrimos amizade, carinho, admiração, confiança, identificação  que, por um ou vários motivos, escolhem partir definitivamente das nossas vidas,  deixando um vazio enorme, o qual nunca será preenchido por nada nem ninguém. Aprendemos a viver sem essas pessoas, porque não há outro remédio, afinal de contas amizade tem que ser recíproca e devemos ser livres para voarmos para onde quisermos.

 Quando uma pessoa não quer mais ficar, quando nosso abraço já não aquece, quando nossa presença já não importa, quando nossos braços já não acolhem e quando nossa companhia já não agrada, a única coisa que podemos fazer é reconhecer que falhamos. Isso é duro, difícil e doloroso. Reconhecer que falhou, que sua amizade não foi boa, não fez bem, que machucou, que feriu, que magoou, enfim, que você não foi capaz de nutrir, regar, cuidar da flor-amizade, que um dia parecia tão bela, resistente, indestrutível.

Então você tem que reconhecer e se conformar que  essa flor-amizade, de repente ou aos poucos, acabou.  Acabou...  mas acabou para quem? O justo seria que acabasse para ambas, mas não é assim, se o fosse eu não estaria escrevendo este texto com os olhos cheios de lágrimas e o coração apertado de dor...

sábado, 14 de abril de 2018

Amarras


As vezes é preciso soltar - soltar de verdade - as amarras que nos aprisionam, sejam aquelas das quais temos consciência ou aquelas das quais nem temos consciência de que são amarras. Estas são as piores, porque estão disfarçadas em forma de sentimentos bonitos, sem os quais pensamos não  sermos capazes de sobreviver, mas que na verdade só nos fazem mal.   É preciso soltá-las com determinação e, ainda que  as marcas deixadas por elas sangrem  e doam forte, devemos ter paciência e deixarmos que o tempo as cure.  Acredito que a dor das feridas e as eternas cicatrizes não se comparam ao prazer de ser livre.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

O mar


O mar, ah o mar e esse poder de nos fazer sentir que podemos tudo!
Esse vento soprando forte, bagunçando os cabelos, enquanto o seu cheiro único vai invadindo a alma e despertando sensações inexplicáveis.
O mar, ah o mar e esse poder de nos transportar para um outro mundo!
Esse verde, azul, branco, multicolorido que entra pelos olhos e penetra a mente nos fazendo esquecer as cores tristes da injustiça e da maldade.
O mar, ah o mar... não é a toa que seu nome rima com amar...

quinta-feira, 29 de março de 2018

Ela


Ela é poesia em estado bruto, seu olhar de mistério e seu sorriso enigmático são versos esperando para serem lidos.

Ela é melodia pura e as palavras dos seus lábios são músicas que vão se inscrevendo na partitura do meu coração.

Ela é magia e encantamento, lucidez e razão, ternura e emoção. Suas mãos me conduzem à realidade, seu perfume ao desatino.

Ela é um tesouro descoberto, em meio às ruínas de uma vida desolada pela solidão.

sábado, 24 de março de 2018

Dulce


Dulce es tu nombre como dulce es tu boca tatuando mi piel.
Dulce la canción que me cantas al tocarme el alma. 
Dulce es tu nombre como dulce es tu mano acariciando mi pelo.
Dulce la poesia  que escribes en las páginas blancas de mis días.