sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Foram tantas fases e faces, para ser quem eu sou. Quantos detalhes, experiências, vivências, partilhas, trocas, doações, entregas. Foram tantos sorrisos e tantas lágrimas, encantos e decepções, conquistas e perdas, vitórias e derrotas.

Foram tantos dias sombrios e outros tantos iluminados, tantas noites de solidão e outras tantas de amor e paixão. Cada instante vivido, cada poema devorado, cada livro lido, cada flor que eu vi desabrochar, cada rio que eu contemplei correr, cada onda do mar que me molhou os pés, cada canto de pássaros que eu ouvi, cada sol que vi nascer e cada entardecer que admirei me fizeram quem sou.

A mulher que sou é reflexo de todas as outras mulheres com as quais convivi, compartilhei, me identifiquei, amei, admirei. A mulher que sou é síntese de todas as histórias que ouvi, todas as dores que tomei pra mim, todas as causas com as quais me comprometi, todas as lutas que lutei, as bandeiras que ergui.

Pensando assim, eu deveria ser uma pessoa que, além da sensibilidade, deveria trazer comigo a força das mulheres que me inspiraram, me ensinaram, me guiaram. Contudo não é assim... Eu não consigo ser forte diante de alguns fatos e atitudes que me fazem sentir vulnerável, fraca, perdida. Embora eu não queira, algumas pessoas conseguem me fazer sentir insignificante; suas atitudes me machucam e me fazem desacreditar no amor (em todas as suas formas),  na doação, na entrega, na amizade.


Apesar disso eu não consigo deixar de amar incondicionalmente e de dar o melhor de mim, mesmo correndo o risco de que nada seja reconhecido,  como na maioria das vezes não é. Mas gostaria de verdade que fosse diferente, gostaria de não ser tão sensível, de sentir menos, de me importar menos, de ser menos, mas infelizmente não consigo. Não consigo ser metade, porque sou intensa demais, e para pessoas como eu, sofrer é inevitável. Já estou envelhecendo e ainda não me acostumei com isso...

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Solidão

A solidão tem sido a minha mais leal companheira. E por mais que eu tente afastá-la, por mais que eu não queira, ela vai ocupando os espaços vazios, substituindo os sentimentos empoeirados, tomando o lugar dos sonhos não realizados, dos desejos não vividos, das emoções não expressadas. Aos poucos ela vai tomando conta de tudo em mim, tomando conta do que antes era do amor, da paixão, da entrega, da cumplicidade, da partilha, da amizade. E embora eu conheça tão bem essa minha leal companheira, às vezes, eu ainda a confundo com saudade.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

...

Fecho os olhos e os vejo ali, amontoados no mesmo canto da vida onde os deixei, com a desculpa de que a caminhada seria mais leve sem eles. Não tem sido...

Olho fixamente para eles, meu coração palpita e quero retomá-los, contudo eles parecem mais pesados e impossíveis do que quando os deixei.

Desisto mais uma vez de caminhar em direção a eles e sigo  esvaziada de esperança e sem rumo certo. A única certeza que tenho é a de que estou deixando para trás meus sonhos e com eles, quem sabe, a oportunidade de ser feliz.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Saudade


Para alguém que já se foi


Essa noite sonhei com você.
Com  seu vestido florado,
seu decote ousado,
lindo de se ver.

Essa noite sonhei com você.
Com seu jeito calado,
seu olhar concentrado,
iluminando meu ser.

Essa noite sonhei com você.
Com seu sorriso verdadeiro,
seu abraço inteiro,
querendo me proteger.

Essa noite sonhei com você.
E acordei com muita saudade 
e uma grande vontade 

de estar com você.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Silêncios

Hoje o silêncio tomou conta de mim. Ele tem sido meu companheiro durante toda a vida, mas em alguns dias, como hoje, sua presença é tão forte que me angustia e me faz chorar. 

Eu já experimentei silêncios melhores, como aqueles encontrados na poesia dos olhares, na delicadeza dos toques, no abrigo dos abraços, na fortaleza dos afagos, nos encontros dos lábios, no contato mudo dos corpos.

Mas o silêncio que me inunda hoje é o da solidão, da incerteza, da insegurança, da incompreensão, da  fraqueza, da tristeza de estar só no mundo, no meu mundo...

Há um nó na garganta, um choro incontido, uma vontade de me esconder, desaparecer, deixar de existir...

Queria um abraço forte agora, o aconchego de um colo, um sorriso que me transmitisse esperança... mas o que tenho pra hoje é o silêncio e a dor de ser quem sou.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Hoje eu acordei sem querer me levantar, mas não teve jeito, então respirei bem fundo, pra aliviar o peito,  e me levantei. 

Deixei a água fria me despertar,  esfriar os pensamentos, lavar as lágrimas.  Vesti a roupa da falsa alegria, me maquiei com muita cor- pra disfarçar a dor - e disse: "bom dia"!

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Os medos que não são de Chapeuzinho Amarelo.

Para todas as meninas/mulheres que cresceram com medo do "lobo"

O medo que sinto aqui dentro e que expresso na insegurança do olhar, nas palavras incertas, na angústia de encarar a rua deserta, é reflexo de outros medos guardados, silenciados, trancados a sete chaves no baú das memórias. É o medo agigantado no corpo encolhido, ainda pueril, da menina escondida no escuro do quarto, contra a porta do banheiro ou nas árvores do terreiro.
Medo medoso, um medo contínuo, maior que aquele de Chapeuzinho Amarelo, "medo do medo do medo de algum dia encontrar um lobo". Quando criança, esse medo não é nada bobo, pois a cada 15 minutos, no Brasil, tem mais uma vítima de algum "lobo".
Então a gente cresce, acreditando que vai se livrar do medo, mas o medo cresce com a gente, se agiganta, sufoca, um medo das lembranças do "lobo", que nos visita em noite de pesadelo, nos tira o sono, nos arranca soluços e se espalha nas lágrimas que molham nosso travesseiro.
Mas além desse medo, que a gente não perde nem vira arremedo, quando a gente cresce temos outros medos, não inventados. Medo, não de trovão, de minhoca, de engasgar, de se sujar, de cair, mas medo de ir pra fora, de voltar da escola, de vestir mini saia, de sair sozinha. Medos frutos de outro "medo mais que medonho", que é o medo de encontrar outros "lobos", que não existem só lá "do outro lado da montanha, num buraco da Alemanha, cheio de teia de aranha", mas por toda parte.
Eu, que cresci com medo das lembranças do "lobo", hoje ando sempre sobressaltada, atenta, angustiada, com um medo nada engraçado, de encontrar um "lobo" malvado escondido nas esquinas, nas vielas, nas paradas de ônibus, no metrô. Também tenho um medo guardado dos "lobos" que estão nos lares, nas escolas e nas igrejas, aqueles de sorriso faceiro, vestindo pele de cordeiro.
PS.: Algumas frases foram tiradas do livro Chapeuzinho Amarelo de Chico Buarque, com o qual há um jogo de intertextualidade.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Viver tem sido insuportavelmente doloroso e desesperador. A sensação de que tudo está fora do lugar (principalmente eu) é tão contínua, que me sufoca.

A vida tem sido um fardo pesado que eu já não tenho tido mais forças para carregar. 

Quero parar, preciso parar, mas estou tão cansada de tentativas frustradas, que já não tenho ânimo nem de tentar.



Enquanto isso, me apego desesperadamente aos livros, torcendo para que as histórias tenham o poder de me fazer esquecer da obrigação de viver.