quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Hoje eu quero descansar (Érica)

Estou cansada, muito cansada desse mundo injusto. E você?
Hoje eu quero descansar... pelo menos hoje não quero saber do que tramam no Congresso. Por favor, eu lhe peço, não me venha contar do mais novo retrocesso, do último Direito ultrajado por esse desgoverno; dos cortes na Educação; do Escola sem partido; das verbas desviadas da Saúde; da ração do Dória; das propinas pagas pela Odebrecht; dos políticos comprados pela JBS; do Senado corrupto que salvou o Aécio. Não, hoje eu não quero lembrar da Democracia ultrajada e do Golpe dado contra nossa Nação. Pelo menos hoje, não! Eu preciso descansar...

Hoje eu quero sorrir, prometo que não vou me importar com os comentários lesbofóbicos quando eu passar, com o assédio na rua ou com a sociedade machista a me definir. Não venha insistir, porque eu não vou ler os posts racistas na minha timeline. Não vou me atormentar pelo assédio moral ou pelas ameaças que sofro por ser mulher e defender o que acredito. Pelo menos hoje, não vou me importar com as críticas sobre o meu feminismo. Sinto muito, mas eu preciso descansar...

Hoje eu quero respirar, não quero sofrer com tantos feminicídios, com menina abusada, violada, morta; com menino ”suspeito", que pela cor de sua pele ganhou um tiro no peito. Não quero pensar na juventude negra exterminada; na criança abandonada, nem naquela atropelada no lixão da Estrutural. Não quero me angustiar pelos conflitos armados na Rocinha e Vidigal; pelos barracos derrubados em São Sebastião, nem pela fome que volta a atingir as famílias do Sertão. Por favor, não! Eu preciso descansar...

Hoje eu não quero chorar, por favor, não venha me contar dos suicídios pós exposição nas redes sociais, nem dos estupros coletivos e/ou corretivos. Não quero saber do Bolsonaro, seu discurso homofóbico e seus seguidores reacionários. Também não quero assistir ao choro de quem teve o seu Terreiro destruído, seus santos quebrados, sua religião ultrajada pela intolerância. Sei que é estranho, mas eu preciso descansar...

Hoje eu quero esquecer a crise humanitária. Fingir que a Somália não está destruída; que o povo Rohingya pode viver livremente em seu território; que não há conflitos na Síria; que meus irmãos mexicanos não foram soterrados por nenhum terremoto e que os cubanos, haitianos, portoriquenhos não foram atingidos por nenhum furacão. Não, eu não estou louca, eu só preciso descansar...

Hoje eu quero ler Leminski e Arnaldo Antunes, escutar Chico Buarque e Marisa Monte, cantar La vie en rose, ouvir Palavra Cantada e Bia Bedran, redescobrir com Diane Valdez "O que é que tem na trouxa de Maria". Hoje eu quero voltar a ser criança, jogar amarelinha, tomar banho no riacho, soltar pipa na rua, brincar de salva-bandeira e andar de rolemã.
Na verdade, o que eu quero hoje é paz, não vou ler os jornais nem ouvir as notícias da rádio/tv. Estou cansada, muito cansada desse mundo injusto. E você?

domingo, 15 de outubro de 2017

Paixão (Érica)

Não gosto de sofrer por amor ou por amizade, prefiro sofrer de paixão.

Esse sentimento-fogo, que chega fazendo a gente endoidecer,
ardendo o corpo de desejo até se consumir em prazer.

Não gosto de sofrer por amor ou por amizade, prefiro sofrer de paixão.

Esse sentimento-rio, que depois de vivido se (es)vai de verdade,
sem deixar marcas de dor ou rastros de saudade.

sábado, 14 de outubro de 2017

Decisão (Érica)

Decidi!

Vou percorrer sem medo os recônditos sombrios da minha memória.
Vou encarar de frente os fantasmas do passado.
Vou deixar bem claro, que agora sou eu quem escrevo minha história.


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Perguntas (Érica)

O que meu coração busca dessa forma, assim tão intensa?
Por que esse palpitar no peito, que me impede de respirar?
Eu que pensei ser forte, sinto que estou a desmoronar.
Todo meu corpo implora por algo que não sei descrever.

Seria por suas mãos a me percorrer?
Por seus lábios a me devorar?
Por seu fogo a me consumir?

Não!

Essa busca, essa inquietação,
esse palpitar, esse desejo,
nada mais são que a vontade de lhe abraçar
e de me perder na doçura do seu olhar.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Origens (Érica)



Não posso esquecer-me de quem sou.
Não posso esquecer minhas origens.

Os caminhos que trilhei foram tortuosos,
cheios de dores e de espinhos.
As noites foram longas e frias;
as horas vazias de sentido.

De tanto questionar aos céus o porquê de minha existência,
quase abracei a demência.

Não posso esquecer-me de quem sou.
Não poso esquecer minhas origens.

Esquecer de onde eu vim,

é não saber onde estou nem aonde vou.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Amizade (Érica)

                                          Sisters-best-friends In: https://www.etsy.com

Ela me olhou sorrindo e me contou que estava indo.
Me falou que ia trilhar outros caminhos,
me revelou que estava se permitindo
descobrir novas  possibilidades,
desvendar  e desvendar-se,
imergir em  outras verdades.

Meu coração lhe abraçou contente,
desejando que a  liberdade lhe inundasse,
que as descobertas fossem constantes,
as surpresas bastantes,
e que a alegria se renovasse
a cada amanhecer.

E ao despedir-nos, repleta de gratidão,
fiz ao Universo uma oração:
que as experiências do presente dela
possam (re)significar as dores do passado.
Que as vivências de agora possam tecer
um futuro de outras belas histórias.


Ela então se foi, deixando em mim, além de muito aprendizado,
um baú de recordações, um rio de saudade,
um reportório de canções e um perfume de amizade.

Ela se foi levando a certeza de que a minha amizade é cais,
onde o barco-ela encontrará sempre um lugar para ancorar
e um abraço-casa, se desejar.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Ela é flor e pedra



Ela é flor e pedra
Ela é flor, branca flor imponente que se revela aos que apreciam a noite escura.
Ela é pedra, pedra de cachoeira, cristalizada pelo tempo, fortalecida pelas águas.

Ela é flor e pedra
Ela é flor, vermelha flor do cerrado, Caliandra que enfeita  o sendeiro árido.
Ela é pedra, pedra que as águas claras do rio da vida vai  moldando durante o trajeto.

Ela é flor e pedra
Ela é mais forte que o medo da dor que lhe causam algumas feridas ainda abertas.
Ela é iluminada pelo astro rei e protegida pela  estrela maior das noites enluaradas.


Ela é flor e pedra, mas também e lua e luar, água e fogo, amor e amar.

Companhia

    Deux femmes s'embrassant - Egon Schiele   


Nas madrugadas tristes e frias
Suas lembranças me envolvem
Enchendo as minhas horas vazias
De encantos e alegrias.

E quando o sono finalmente vem
Sinto nos sonhos o seu abraço
Renovando esperanças
Levando o cansaço.

Se na realidade, sua presença me falta.

Nos sonhos, sua companhia me basta.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Medo (Érica)


                Banco de imagem Google - https://sensualtantrichealing.wordpress.com



Tenho medo do que posso descobrir ao abrir o baú onde guardei minhas memórias.


Tenho medo de que essa busca por mim, resulte na desgraça de descobrir que sou o reflexo do qual sempre fugi.