quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Trecho do Manifesto de fundação do Centro Popular da Mulher de Goiás - Março de 1985


"Nossas bandeiras de luta manter-se-ão se continuarmos demonstrando que somos capazes e imprescindíveis para a construção de uma sociedade onde homens e mulheres possam usufruir do progresso, da ciência e da liberdade"

CPM - Av. Goiás, 759, salas 403 e 404 Ed. Flávia, Centro - Goiânia - GO.
Email: cpmubm@yahoo.com.br
Fone: 3224 8828

Ser mulher (Gilka Machado)



Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhadapara os gozos da vida, a liberdade e o amor, tentar da glória a etérea e altívola escalada, na eterna aspiração de um sonho superior...


Ser mulher, desejar outra alma pura e alada para poder, com ela, o infinito transpor, sentir a vida triste, insípida, isolada,buscar um companheiro e encontrar um Senhor...


Ser mulher, calcular todo o infinito curto para a larga expansão do desejado surto, no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...


Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza! ficar na vida qual uma águia inerte, presa nos pesados grilhões dos preceitos sociais!

Diga NÃO à Violência contra as mulheres.


Devemos denunciar a violência e exigir do Estado a ampliação dos serviços de atendimento às vítimas e ações para evitá-la, educando a sociedade com novos valores.


É urgente que a sociedade brasileira tome consciência e assuma a responsabilidade de mostrar e combater a violência em suas diferentes formas. Esta é uma causa justa, humanitária e garantida pela Legislação Brasileira:• A Constituição Brasileira de 1988 obriga o Estado a tomar todas as medidas necessárias para prevenir e punir a violência ocorrida no âmbito da família.


• Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher , “CEDAW (ONU,1979)” foi ratificada pelo governo brasileiro, com reservas em 1984. As reservas foram retiradas em 1994.


• Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher , “Convenção de Belém do Pará”, foi assinada pelo Brasil em 9 de junho de 1994 e ratificada em 27 de novembro de 1995.


• Lei 10.224/2001 criou o crime de assédio sexual que ocorre quando o assediador constrange a outra pessoa com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual utilizando da posição de superior hierárquico.


• Lei 10.886/2004 alterou o Código Penal para configurar a violência doméstica como crime.
A União Brasileira de Mulheres conclama:Denuncie a violência nas Delegacias Especiais de Polícia, Conselhos e Coordenadorias que tratam dos direitos das mulheres! Procure os Órgãos de saúde. O silêncio gera impunidade!Onde você estiver, entre na onda de luta contra toda opressão, pela paz e por uma sociedade justa e fraterna.


Combata as desigualdades e a discriminação de classe, de gênero, de raça e etnia. Diga NÃO à Violência contra as mulheres.

Viver Sem Violência é um Direito


25 de novembro: Dia Internacional de não-violência contra as mulheres!



A violência contra as mulheres não tem cor, classe social nem raça: É maléfica, absurda e injustificável!A violência contra as mulheres está estampada nos jornais - é uma questão social e de saúde pública, e uma das formas mais perversas de discriminação contra as mulheres.


Fere os direitos humanos, destrói sonhos e afeta a dignidade. É a expressão mais clara da desigualdade social, racial e de poder entre homens e mulheres deixando visível a opressão social e as marcas físicas e psicológicas naquelas que representam a metade da população brasileira.

A violência não é só agressão física...ocorre nos espaços públicos e privados...é também psicológica e moral: agressões verbais reduzem a auto-estima e fazem as mulheres se sentirem desprezíveis. É também uma questão de saúde: causa estresse e enfermidades crônicas. Quem vive uma situação de violência não tem margem de negociação e está mais susceptível de contrair o vírus HIV.


A violência interfere na qualidade de vida, no exercício da cidadania das mulheres e no desenvolvimento da sociedade em sua diversidade.As faces da violência: denuncie!
A violência ocorre, principalmente, na própria casa: lugar de afeto. A violência doméstica é a campeã entre todas e expressa a desigualdade de poder nas relações afetivas e sociais entre homens e mulheres.

No espaço do trabalho, ocorrem o assédio e a violência sexual seguidos pelo assédio moral que desqualifica o trabalho e desmoraliza a trabalhadora.

A violência Institucional faz parte das estatísticas. É praticada pelos funcionários que prestam serviços públicos quando são omissos e perpetuam a discriminação e a violência ao invés de proteger as mulheres vitimadas com atenção humanizada.

A violência patrimonial quando ocorre, dificulta a sobrevivência, o acesso da mulher ao trabalho, a documentos, a bens, a recursos econômicos ou direitos, ferindo sua autonomia.
Em todos estes casos a condição do “ser mulher” se soma à violência racial/étnica pois as mulheres negras são mais vítimas de homicídios, discriminação no trabalho, violência sexual, turismo sexual e tráfico de mulheres.
Os números da violência

• No mundo, 5 dias de falta ao trabalho é decorrente da violência sofrida pelas mulheres em suas casas resultando, a cada 5 anos na perda de 1 ano de vida saudável; no Brasil esta forma de violência compromete 10,5% do Produto Interno Bruto!


• Dos 70% dos casos de violência contra a mulher, 40% são com lesões graves e os agressores são os maridos, ex-maridos, ex-companheiros (Banco Mundial).


• A incidência de AIDS aumentou entre as mulheres no Brasil. No inicio dos anos 80 a relação era de 25 homens para uma mulher infectada e hoje é de 1 mulher para cada 2 homens. Entre as mulheres, 55% tem entre 20 a 29 anos, predominando as afrodescendentes e as de camadas mais pobres.


• No Brasil, são registrados 15.000 estupros por ano que podem ocasionar gravidez indesejada e DST/AIDS.


quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Aviso da lua que menstrua (Elisa Lucinda)


Moço, cuidado com ela! Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...

Imagine uma cachoeira às avessas: cada ato que faz, o corpo confessa.

Cuidado, moço às vezes parece erva, parece hera cuidado com essa gente que gera

essa gente que se metamorfoseia metade legível, metade sereia.

Barriga cresce, explode humanidades e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar mas é outro lugar, aí é que está: cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..

Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente que vai cair no mesmo planeta panela. Cuidado com cada letra que manda pra ela!

Tá acostumada a viver por dentro, transforma fato em elemento a tudo refoga, ferve, frita ainda sangra tudo no próximo mês.

Cuidado moço, quando cê pensa que escapou é que chegou a sua vez!

Porque sou muito sua amiga é que tô falando na "vera" conheço cada uma, além de ser uma delas.

Você que saiu da fresta dela delicada força quando voltar a ela.

Não vá sem ser convidado ou sem os devidos cortejos..

Às vezes pela ponte de um beijo já se alcança a "cidade secreta" a Atlântida perdida.

Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.

Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas cai na condição de ser displicente diante da própria serpente

Ela é uma cobra de avental Não despreze a meditação doméstica

É da poeira do cotidiano que a mulher extrai filosofando cozinhando, costurando e você chega com a mão no bolso julgando a arte do almoço: Eca!... Você que não sabe onde está sua cueca? Ah, meu cão desejado tão preocupado em rosnar, ladrar e latir então esquece de morder devagar esquece de saber curtir, dividir.

E aí quando quer agredir chama de vaca e galinha.

São duas dignas vizinhas do mundo daqui!

O que você tem pra falar de vaca? O que você tem eu vou dizer e não se queixe: VACA é sua mãe. De leite. Vaca e galinha... ora, não ofende.

Enaltece, elogia: comparando rainha com rainha óvulo, ovo e leite pensando que está agredindo que tá falando palavrão imundo.

Tá, não, homem.

Tá citando o princípio do mundo!

O que é a UBM - União Brasileira de Mulheres?



A UBM nasce em 1988 em um Congresso, convocado pela Revista Presença da Mulher, com mais de mil mulheres, tendo como orientação teórica as reflexões e a elaboração da Corrente Emancipacionista que foi sendo formulada no contexto de lutas pela democratização no Brasil. A semente para as reflexões estava na situação histórica das relações de exploração do trabalho e no reconhecimento da situação de opressão das mulheres, entendendo o trabalho como fundamental para garantir a autonomia e emancipação social. Na época, respaldadas pela realidade da situação enfrentada pelas mulheres no mercado de trabalho e sua presença na resistência à ditadura militar, reforçou a compreensão da necessidade de estarmos organizadas em uma entidade ampla de mulheres com uma plataforma de questões específicas sobre a vida e situação das mulheres - pois elas são exploradas e oprimidas – relações imbricadas de classe e de gênero, daí a nossa chamada: Por um mundo de igualdade contra toda opressão.Hoje, além de direitos legais, conquistamos políticas públicas, como resposta do Estado brasileiro às reivindicações das mulheres e o desafio está em garantir a implementação e efetivar estas políticas como políticas de Estado. É dever cotidiano estarmos nos espaços de controle social, vigilantes, frente ao não cumprimento de boa parte dos direitos legais das mulheres na vida, - daí nossa luta por Igualdade na lei e na vida.


Se por um lado, garantimos conquistas, por outro, a reação do poder nos coloca em constante vigilância, enfrentando a negação de nossos direitos que se manifesta quando as reformas neoliberais ameaçam os nossos direitos conquistados numa realidade em que é flagrante a feminização da pobreza, a situação de precarização e a discriminação enfrentada pelas mulheres no trabalho, por isso, nossas bandeiras: Nenhum direito a menos, alguns direitos a mais e, pela Valorização do trabalho da mulher.

Guetos, Corpos e Essência (Norma Esther Negrete Calpiñeiro)




Cansa-me o fato de bordejar em mares bravios
E cais vazios.

Desanima-me escalar morros violentos
E muros cinzentos.

Entristece-me a solidão das calçadas
E o pão ganho aviltado.

Permaneço encarcerada em guetos invisíveis
Onde prossigo sem atingir meu destino.

Tenho lucidez, porém traçaram-me um viés.
Sou sagaz, com cor definida, porém tornam-me transparente.

Para não ser intransigente.
Pertenço a uma etnia conhecida, porém me rotulam.

Para sentir-me exoticamente excluída
Querem além de meu corpo, minha alma.

No entanto prossigo para alcançar meu destino.
Tenho voz e quero ser ouvida,
Anseio enxergar a continuidade do caminho.

Pretendo que a luta secular não impeça,
A liberação da minha natureza.

E que a projeção de minha essência produza transformações
Aniquilando elos, muralhas, abismos e preconceitos.

Congresso da UBM




Aconteceu em Luziânia - GO o 7° Congresso Nacional da União Brasileira de Mulheres - POR UM MUNDO DE IGUALDADES. O congresso que contou com a participação de mulheres representantes de 22 Estados brasileiros, foi um marco na luta pela igualdade de gênero.