quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Guetos, Corpos e Essência (Norma Esther Negrete Calpiñeiro)




Cansa-me o fato de bordejar em mares bravios
E cais vazios.

Desanima-me escalar morros violentos
E muros cinzentos.

Entristece-me a solidão das calçadas
E o pão ganho aviltado.

Permaneço encarcerada em guetos invisíveis
Onde prossigo sem atingir meu destino.

Tenho lucidez, porém traçaram-me um viés.
Sou sagaz, com cor definida, porém tornam-me transparente.

Para não ser intransigente.
Pertenço a uma etnia conhecida, porém me rotulam.

Para sentir-me exoticamente excluída
Querem além de meu corpo, minha alma.

No entanto prossigo para alcançar meu destino.
Tenho voz e quero ser ouvida,
Anseio enxergar a continuidade do caminho.

Pretendo que a luta secular não impeça,
A liberação da minha natureza.

E que a projeção de minha essência produza transformações
Aniquilando elos, muralhas, abismos e preconceitos.

Nenhum comentário: