sexta-feira, 15 de outubro de 2010

RETROCESSO NA VIDA DAS MULHERES



As mulheres vêm travando uma longa e heróica batalha pelo reconhecimento de seus direitos sociais, econômicos e políticos no Brasil. Só poderemos afirmar que vivemos em uma sociedade moderna, avançada e justa quando, entre outras questões relevantes, estiverem derrotados todos os nossos ranços machistas e patriarcais e as mulheres desfrutarem de condição de igualdade com os homens em todos os setores.

Infelizmente, na eleição presidencial brasileira, que deveria representar um momento de avanço também nesse sentido, estamos testemunhando um retrocesso na luta pela afirmação dos direitos da mulher, provocado por uma campanha moralista, conservadora, de fundo religioso, que manipula a fé das pessoas por propósitos estritamente eleitoreiros.

A questão do aborto e, consequentemente, de um direito da mulher, virou bandeira eleitoral da campanha de José Serra, que viu no tema uma oportunidade de encurralar a adversária, que, até por sua condição de gênero, é mais sensível à questão.

Não que as posições dos dois candidatos, ao menos em tese, sejam muito antagônicas. Quando foi ministro da Saúde, Serra normatizou a realização do aborto na rede pública nos casos previstos em lei e distribuiu a pílula do dia seguinte, mecanismo contraceptivo considerado equivalente ao aborto por entidades religiosas.

O candidato tucano sabe muito bem que descriminalizar o aborto não é promovê-lo e sim mudar o tratamento legal que recebe para que mulheres que precisem e desejem fazê-lo possam ter segurança para tanto. Significa acabar com as barbeiragens de clínicas clandestinas, cujas consequências aumentam os gastos do SUS, garantir o atendimento público e reduzir a mortalidade materna que deriva de mais de um milhão de abortos que ocorrem anualmente no país.

Mas Serra viu na campanha religiosa movida contra Dilma por ter se posicionado pela descriminalização do aborto uma oportunidade de virar um jogo que lhe é desfavorável e não hesitou em abraçar a causa conservadora, mesmo que à custa da luta histórica das mulheres. Antes do primeiro turno, sua mulher, Mônica Serra, foi às ruas dizer que Dilma era favorável a "matar criancinhas". Nem Geraldo Alckmin, o candidato da Opus Dei, derrotado por Lula em 2006, foi tão longe no moralismo e no terror.

Ao assumir tal papel, a mulher de Serra revela-se uma tremenda carola, que realmente acha que a descriminalização do aborto é uma operação mata criancinhas, ou apenas se alia ao jogo oportunista do marido. Mônica Serra, aliás, faz o protótipo da mulher à moda antiga, submissa, que só aparece na campanha para atacar o Bolsa Família e espalhar inverdades, enquanto ouve calada os conselhos públicos do marido-candidato a seu vice de que amante "tem que ser uma coisa discreta".

Como se nota, os prejuízos que a campanha de Serra acarreta à questão da mulher no Brasil vão além do tema pontual do aborto e enveredam pelo comportamental. Na sua atual propaganda na televisão, o tucano utiliza uma atriz, sentada em uma poltrona dentro de casa, com óculos pendurado ao pescoço, para questionar as ligações de Dilma com a ex-ministra Erenice Guerra. É o modelo da dona de casa, na acepção negativa do termo. É o tipo da mulher que não trabalha, não tem opinião própria, e puxa um fuxico, "de mulher para mulher", para levantar as suspeitas. Só faltaram os bobs na cabeça.

As mulheres no Brasil tiveram que conquistar o direito à educação, pois a lei só lhes dava acesso ao ensino fundamental e não a uma formação completa. E quando isso se tornou um direito, enfrentaram a reprovação de uma sociedade que achava que o lugar da mulher era em casa, cuidando da família e dos filhos. Depois, obtiveram o direito ao voto, inicialmente só concedido com autorização dos maridos, e que se tornou pleno e obrigatório no pós-guerra, em 1946.

Com o passar do tempo, foram à luta para exercer suas profissões, enfrentando os preconceitos, os baixos salários e a remuneração desigual. Na Constituinte de 1988, homens e mulheres aparecem finalmente em condição de igualdade em direitos e obrigações. O governo Lula cria, logo em seu primeiro dia, a Secretaria Especial de Mulheres para efetivação de políticas públicas de gênero, e, em 2006, aprova a Lei Maria da Penha, considerada uma das mais avançadas do mundo no enfrentamento da violência contra a mulher, geralmente praticada no próprio lar.

Os benefícios do Bolsa Família são entregues preferencialmente às mulheres, pois considera-se que administram melhor os recursos. O protagonismo da mulher se espalha em todos os campos. Elas conquistam a liberdade. Escolhem se e com quem querem viver ou casar e se desejam ou não ter filhos.

E na primeira vez em que duas mulheres são candidatas à Presidência surge a ameaça do retrocesso em suas conquistas históricas. Concepções religiosas são válidas, mas não podem tolhir o avanço da sociedade brasileira. Este é um estado laico. A questão da descriminalização do aborto, tema que Lula acabou excluindo do Programa Nacional de Direitos Humanos, justamente por pressões religiosas, poderia evoluir com Dilma presidente, mas talvez nem vá mais diante da campanha moralista que se montou contra ela. Poderá ser uma oportunidade histórica perdida. E quem mais a sentirá, literalmente na carne, serão as mulheres brasileiras.

FONTE: escrito por Mair Pena Neto, jornalista carioca. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Agência Reuters. No JB foi editor de política e repórter especial de economia. Publicado no site “Direto da Redação” (http://www.diretodaredacao.com/noticia/campanha-e-retrocesso-na-luta-das-mulheres).

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O ABUSO SEXUAL É UM PROBLEMA DE TODOS NÓS.

          O abuso sexual é um grande mal na sociedade  e precisa ser combatido. Temas como esse, que mexem, muitas vezes, com lembranças ruins que preferimos esquecer é difícil de ser explorado.

     Contudo, eu continuo acreditando que esquecer e ignorar é uma forma de omissão e que lembrar é uma maneira de lutar para que outras crianças não passem pelo que eu já passei. 

     Se você também acredita que podemos fazer alguma coisa para extinguir esse mal, click no link abaixo e divulgue, pois como o lema diz: "se não tem ninguém falando, tem alguém fazendo."



domingo, 5 de setembro de 2010

Vote contra a Homofobia. Defenda a cidadania.

Hoje, a partir do meio dia acontece a Parada do orgulho LGBT de Goiás. A Concentração começa as 15 horas no Bosque do Botafogo, centro. A organização do evento é do Grupo Ipê Rosa, AGLT, Eles por Eles, Grupo Lésbico de Goiás, Astral, Associação da Parada de Goiás e Aliança LGBT de Goiás.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A ESPERA


(Fonte: imagens google)

Queria sentir o teu cheiro
Queria perder-me entre teus seios
Queria beijar teu corpo inteiro
Queria encontrar-te em devaneios

Sentir teu alento e respiração
Sugar dos teus lábios a essência da vida
Dedicar-te toda minha inspiração
Protelando em desespero a despedida

Queria adormecer em teus abraços
No enlaço de teus braços despertar queria
Vazia minha cama está porém
Esperando que regresses...e não vens!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Morremos um pouco nessa hora... (Ludmila Rohr)

Querid@s leitoras e leitores deste blog, fiquei muito tempo sem postar. Ando em fase de mudanças, trabalho novo, cidade nova, enfim, muita correria e pouco tempo. Mas recebi esse texto em meu email  e não resisti a tentação de postá-lo aqui, com o link do blog de onde ele foi publicado; aliás, um blog que vale a pena visitar.
Espero que esse texto fale com vocês assim como falou comigo! Abraços a tod@s.


Uma mulher foi assassinada. Ela foi assassinada por alguém famoso. Ela só ficou famosa, por causa disso. 10 mulheres são assassinadas todos os dias no Brasil. No dia que Eliza foi assassinada, outras 9 também foram. Quem as matou, ninguém sabe. Quem são elas, ninguém saberá também. Eliza terá sua morte investigada, porque seu provável algoz é famoso, e não porque uma mulher foi assassinada.

Eliza era filha de alguém, ela era mãe de uma criança, ela era amiga, vizinha e colega de alguém. Ela agora é uma vadia. Tem sua vida sexual devassada. Tem sua sombra revirada. Procuram algo que justifique seu assassinato. Tudo isso porque, se Eliza foi assassinada é porque ela fez algo para merecer isso. Dizem: "Quem procura, acha."

A nossa sociedade é tão machista que acolhe bem esses crimes. As mulheres que são assassinadas são sempre vadias. Elas buscaram de alguma forma esse destino. Eram as amantes, ou prostitutas, garotas de programa e afins... Os homens usam essas mulheres e descartam. Eles podem fazer isso. Eles não serão julgados por sua vida sexual, aliás serão até bem vistos. Coisas de macho.Os homens podem ter a vida sexual que desejarem, não serão mortos por isso, mas as mulheres, se assim fizerem, merece o castigo maior...

Quando uma mulher é assassinada, estuprada, humilhada... .todas nós somos também. É o feminino que é mais uma vez ferido. É o feminino que é mais uma vez julgado e condenado. O feminino que é destituído do seu poder. Todas nós perdemos e somos feridas.

Tenho estado muito indignada com essa história. Ela não é uma história inédita. Nem precisamos pesquisar muito para encontrar vários casos mulheres mortas dessa mesma forma. Entretanto é preciso ficar indignado sempre. Não podemos nos acostumar com isso nunca.

Na China e índia, fetos de meninas são abortados. Em países africanos mulheres tem seus clitóris extirpados. Mulheres são espancadas por seus pais e maridos em todas as culturas e países. As mulheres são as primeiras a serem demitidas em tempos de crise. Os salários das mulheres é menor que o dos homens em funções semelhantes. Até pouco tempo, no Brasil, legalmente era aceitável um homem matar sua esposa, se sua honra tivesse sido ferida. Mulheres estupradas são acusadas de terem provocado seus estupros ao usarem roupas que atiçaram os machos..

Adoro ser mulher e adoraria ser mãe de uma. Entretanto, não tive filhas, só filhos. Amo saber que meus filhos cuidam bem de suas namoradas. Amo saber que meus filhos respeitam suas amigas, assim como me respeitam. Nunca ouvi meus filhos falando de forma desrespeitosa de nenhuma mulher. Acho que eu e meu marido conseguimos criar dois homens dignos que respeitam as mulheres, assim como respeitam a vida. Acho muito improvável que um dia um filho meu seja violento com alguma mulher, assim como penso que não seriam violentos com ninguém. Fico feliz por isso.

Estou triste. Uma parte de mim é Eliza agora. Uma parte de mim é a mãe dela também.

Algo em mim está chorando por todas nós que morremos um pouco nessa hora.

Ludmila Rohr
Fonte: http://mulheremcrescimento.blogspot.com/

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Realidade (Érica)

Os Retirantes - Portinari

Tenho pensado em muita coisa
Tenho sentido um grande desespero
Tenho olhado em minha volta
e o que tenho visto me apavora

Vejo crianças chorando e gemendo
com frio e sede, sem ter o que comer
Vejo garotas roubando e se vendendo
ignorando a vida para sobreviver

Sinto uma dor que me assola
Ao ver tanta injustiça e pouca esmola
Sinto uma indignação que me instiga
à não ficar parada vendo a briga

Preciso lutar pelos banidos e oprimidos
Não posso calar a voz que em mim grita
Quero dizer aos meus irmãos e amigos
Que sou mais uma nessa triste lida

Não vamos deixar que os opressores
Apagem nossa esperança com tantas dores
Vamos gritar aos nossos algozes
Que enquanto existir vida seremos ferozes

terça-feira, 22 de junho de 2010

DESCASO COM A EDUCAÇÃO : O que diria Paulo Freire?


“Está errada a educação que não reconhece a justa raiva, na raiva que protesta contra as injustiças, contra a deslealdade, contra o desamor, contra a exploração e a violência um papel altamente formador”.



“Como posso continuar falando em meu respeito ao educando se o testemunho que a ele dou é o de quem não se prepara ou se organiza para a sua prática, o de quem não luta por seus direitos e não protesta contra as injustiças”.



“A minha resposta à ofensa à educação é a luta política consciente, crítica e organizada contra os ofensores. Aceito até abandoná-la, cansado, à procura de melhores dias. O que não é possível é, ficando nela, aviltá-la com desdém de mim mesmo e dos educandos”.

“Não é na resignação, mas na rebeldia em face das injustiças que nos afirmamos. Uma das questões centrais com que temos de lidar é a promoção de posturas rebeldes em posturas revolucionárias que nos engajam no processo radical de transformação do mundo”.



“Continuo bem aberto à advertência de Marx, a da necessária radicalidade que me faz sempre desperto a tudo o que diz respeito à defesa dos interesses humanos”.



“O que temi, nos diferentes momentos de minha vida, foi da margem, por gestos ou palavrões, a ser considerado um oportunista, um ‘realista’, ‘um homem de pé no chão’, ou um desses ‘equilibristas’ que se acham sempre em ‘cima do muro’
 à espera de saber qual a onda que se fará poder”.



“Quando falo em educação como intervenção me refiro tanto à que espira a mudanças radicais na sociedade, no campo da economia, das relações humanas, da propriedade, do direito ao trabalho, à terra, à educação, à saúde, quanto a que, pelo contrário, reacionariamente pretende imobilizar a História e manter a ordem injusta”.

“Que dizer da professora que, de esquerda ontem defendia a formação da classe trabalhadora e que, pragmática hoje, se satisfaz, curvada ao fatalismo neoliberal, com o puro treinamento do operário, insistindo, porém, que é progressista”.



“Não junto minha voz à dos que, falando em paz, pedem aos oprimidos, aos esfarrapados do mundo, a sua resignação. Minha voz tem outra semântica, tem outra musica. Falo da resistência, da indignação, da justa ira dos traídos e enganados. Do seu direito e do seu dever de rebelar-se contra as transgressões éticas de que são vítimas cada vez mais sofridas.”



“Sou professor a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais. Sou professor contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a miséria na fartura.”
Pedagogia da Autonomia,  Paulo Freire




terça-feira, 15 de junho de 2010

Noite sombria (Érica)

Frida Kahlo
Deux femmes nues dans la forêt


                                         Alma gritando em dor
Coração dilacerado pelo desespero
vidros quebrando-se em minha mão
gotas de sangue manchando o chão

Visão de um anjo me abraçando
uma voz doce me acalmando
Lágrimas de angustia e pavor
Pensamentos em chamas, corpo em ardor

Mãos trémulas
Olhar perdido
Sorriso apagado
Em um canto largada
querendo morrer

Mãos que me afagam
Lábios que me beijam
Braços que me abraçam
Do meu lado você.

Me sarando as feridas
Me cantando o amor
Me dizendo sê forte
Com você eu estou.

Naquela noite sombria
Se não fosse o amor
Hoje não viveria.
Obrigada por ser um anjo na minha vida.
Amo Você!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A feminização do HIV/Aids

O aumento do número de casos de HIV na população feminina durante a última década é algo preocupante. Os números mostram que a vulnerabilidade da mulher ao vírus do HIV tem crescido de forma alarmante, principalmente entre as mulheres na faixa etária de 15 a 19 anos de idade.

Diante desse fato, autoridades, instituições especializadas e o movimento social organizado têm se juntado para enfrentar a Feminização da epidemia de Aids, por meio de políticas públicas, campanhas e atitudes de conscientização sobre a importância de empoderar as mulheres a fim de que elas possam ser capazes de exigir de seus parceiros o uso do preservativo e também incentivá-las a usar o preservativo feminino como uma arma contra a vulnerabilidade.

Nós do Centro Popular da Mulher de Goiás (CPM/UBM), instituição da Sociedade Civil Organizada, da qual faço parte, temos realizado inúmeras ações de conscientização, de prevenção e promoção de saúde entre as mulheres em todas as faixas etárias. Estamos indo ao encontro de adolescentes e jovens, mulheres da periferia, profissionais do sexo, enfim, estamos indo até onde elas estão, nas escolas, nos bairros, nas feiras e nas praças, a fim de mostrar para cada uma a importância de se cuidar, de se prevenir e de se amar.

O vídeo abaixo mostra um pouquinho desse trabalho. Espero que você realmente tire uns minutinhos para vê-lo. Caso o tema lhe interessar, você poderá encontrar vários outros vídeos disponíveis no youtube. Obrigada, por nos acompanhar nessa luta!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O aborto e o Estatuto do Nascituro

Enquanto em muitos países o aborto é legalizado e, portanto, as mulheres que decidem fazê-lo, o fazem de forma segura, com toda a assistência psicológica e médica que lhe é de direito, no Brasil, o movimento organizado de mulheres tem lutado, anos a fio, para que o aborto deixe de ser crime e para que as mulheres que o fazem tenham direito a viver ao invés de serem condenadas à morte ou à prisão.


Hoje, no Brasil, o aborto é legal em alguns casos: Estupro ou risco de vida para a mãe, mesmo assim, para que uma mulher vítima de estupro tenha acesso a esse “direito” deve passar por uma via crucis que começa na  delegacia de polícia, IML e tribunais de justiça, ficando a mercê de uma decisão judicial que pode ou não ser favorável. Isso sem falar na condenação antecipada da igreja, que se acha soberana e com direito de decidir sobre a vida ou a morte.

Achando que o sofrimento das mulheres pobres, vítimas de todo o tipo de violência e descaso, ainda é pequeno e que o fardo da mulher vítima de estupro - pobre, violentada, carregando no ventre o resultado de uma violação, condenada pela igreja, enfrentando IML e tribunais – ainda é leve, a Comissão de Seguridade Social e Família aprovou um projeto de Lei que cria o Estatuto do Nascituro e muda o texto que garante à mulher o direito realizar aborto em caso de estupro.

Se o projeto virar lei a mulher vítima de estupro não poderá mais abortar. Devo ressaltar que a MULHER POBRE, que é a principal vítima da violência e do descaso da sociedade, não poderá realizar o aborto assistido. A mulher rica, porém, continuará realizando com toda a segurança o aborto – independente se a gravidez é conseqüência de  estupro ou não – em clínicas particulares e com médicos capacitados, sem contudo passar por qualquer tipo de condenação moral ou social e sem correr o risco de morrer vítima de hemorragia ou infecção.

Segundo o Ministério da Saúde, a prática de abortos clandestinos em condições de insegurança é responsável pela alta incidência de mortes maternas entre mulheres de idade de 15 a 19 anos. A morte por aborto é a quarta causa de morte entre as mulheres no Brasil, são 70.000 mulheres que morrem a cada ano em consequência de abortos mal realizados.

De onde vêm essas mulheres? Será que são SETENTA MIL mulheres com poder aquisitivo que morrem a cada ano no Brasil por realizarem abortos clandestinos? Quantos casos você conhece de mulheres das classes A e B que morreram vítimas de abortos mal realizados? Será que mulheres com algum poder econômico não fazem aborto?

Claro que mulheres das classes mais favorecidas também realizam abortos, e têm todo o direito de fazê-lo e de decidir sobre o seu corpo, como qualquer mulher. Defendemos que toda mulher, independente se rica ou pobre, tem o direito de decidir. Contudo, sabemos que as mulheres com poder aquisitivo, têm acesso a clínicas particulares e profissionais capacitados, ao contrário das mulheres com menor status sócio-econômico, que realizam abortos em clínicas clandestinas ou utilizando-se de remédios caseiros. Sendo assim, o acesso a serviços de aborto seguro está diretamente relacionado ao maior ou menor poder aquisitivo de quem necessita e busca tais serviços.

Conclusão: são as mulheres pobres, na maioria das vezes, pretas ou pardas, sem instrução e vítimas de todo tipo de violações de Direitos Humanos é que são condenadas a morrer em conseqüência de abortos mal realizados, ou - quando sobrevivem a eles- a serem condenas à prisão, à exclusão ou a carregar para sempre as seqüelas psicológicas e físicas de um ato de extrema violência e injustiça social.

Enquanto se deveria avançar, pensando o aborto como uma questão de saúde pública, como o tem feito muitos países; no Brasil existe pessoas que fazem o país retroceder com concepções retrógradas e de cunho religioso fundamentalista, tal como a deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), responsável pelo texto que propõe a mudança da lei.

O Estatudo do Nascituro ainda não se tornou Lei, para isso é necessário que ele seja aprovado em outras instâncias. Sendo assim, tod@s que acreditam que a mulher, independente da sua condição sócio-econômica, cor ou religião, tem direito à vida e a decidir sobre seu próprio corpo, devemos trabalhar para evitar que o nosso país retroceda em mais esse ponto.

Devemos ter sempre em conta que Estado não pode continuar controlando a vida sexual e reprodutiva das mulheres e que as leis contra o aborto e a sua aplicação discriminatória em relação as mulheres mais pobres perpetuam a discriminação em razão de gênero e de condições socioeconômicas.

Texto: Letícia Érica
Imagens: Acervo de imagens Google

terça-feira, 18 de maio de 2010

18 DE MAIO: Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

Hoje é o Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Um dia que foi marcado pela dor, sofrimento e morte de uma menina de apenas 8 anos, Araceli Cabrera Sanches, que em 18 de maio de 1973 foi seqüestrada, drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma tradicional família capixaba, os quais nunca foram punidos.

O Dia Nacional Contra o Abuso e a Exploração Sexual Infanto-juvenil vem manter viva a memória nacional, reafirmando a responsabilidade da sociedade brasileira em garantir os direitos de todas as suas Aracelis.

A data, criada em 2000, tem o objetivo de estimular e encorajar as pessoas a denunciarem/revelarem situações de violência sexual, bem como criar possibilidades e incentivos para implantação e implementação de ações de políticas públicas capazes de fazer o enfrentamento dessa violação.

Tenho uma amiga muito querida que nasceu no dia 18 de maio, seu nome é Andréa e  hoje completa 39 anos. Ela é uma das mulheres mais incríveis que eu conheço, contudo, também foi uma criança vítima de violência, abuso sexual e negligência familiar. Ela foi uma das tantas Aracelis  que existiram e existem no mundo. Crianças indefesas, vítimas da maldade e dos desejos perversos de homens e mulheres - pais, mães, padrastos, padres, pastores - enfim de pessoas que deveriam protegê-las.

Que possamos não só hoje, mas todos os dias, levantar nossas vozes e gritar, em alto e bom som, contra todo o tipo de violência, exploração e abuso, cometido contra nossas crianças. Que possamos lutar por políticas públicas e denunciar todo e qualquer caso de abuso; conscientizar, cuidar e proteger nossas crianças.

Nesse dia 18 de maio deixo meus sentimentos a todas as Aracelis, Andréas, Luizas, Anas, Marias, e Letícias que, não podendo se defender, foram vítimas da maldade e crueldade de pessoas desumanas. Meu desejo é que a atuação da justiça seja eficaz, que casos de violência e abuso sejam denunciados e que os agressores e pedófilos – sejam eles quem forem – sejam presos e paguem por seus crimes.
Desejo que tenhamos um mundo onde a criança conquiste, de novo,  o direito de Ser Simplesmente CRIANÇA!

 

segunda-feira, 17 de maio de 2010

17 de Maio Dia Mundial contra a Homofobia


Em 17 de maio é comemorado em todo o mundo o Dia Mundial contra a Homofobia (ódio, agressão, iolência contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT). A data é uma vitória do Movimento que conseguiu retirar a homossexualidade da classificação internacional de doenças da  Organização Mundial de Saúde, em 17 de maio de 1990.

No Brasil, todos os dias, 20 milhões de brasileiras e brasileiros assumidamente lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais -LGBT têm violados os seus direitos humanos, civis , econômicos, sociais e políticos. “Religiosos” fundamentalistas, utilizam-se dos Meios de Comunicação públicos, das Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas, Câmara Federal e Senado para pregar o ódio aos cidadãos e cidadãs LGBT e impedir que o artigo 5º da Constituição federal (“todos são iguais perante a lei") seja estendido aos milhões de LGBT do Brasil. Sem nenhum respeito ao Estado Laico, os fundamentalistas religiosos utilizam-se de recursos e espaços públicos (escolas, unidades de saúde, secretarias de governo, praças e avenidas públicas, auditórios do legislativo, executivo e judiciário) para humilhar, atacar, e pregar todo seu ódio contra cidadãos e cidadãs LGBT.

O resultado desse ataque dos Fundamentalistas religiosos tem sido:


• O assassinato de um LGBT a cada dois dias no Brasil (dados do Grupo Gay da Bahia - GGB) por conta de sua orientação sexual (Bi ou Homossexual) ou identidade de gênero (Travestis ou Transexuais);

• O Congresso Nacional não aprova nenhuma lei que garanta a igualdade de direitos entre cidadãos(ãs) Heterossexuais e Homossexuais no Brasil;

• O Supremo Tribunal Federal não julga as Arguições de Descumprimento de Preceitos Fundamentais e Ações Diretas de Inconstitucionalidade que favoreçam a igualdade de direitos de pessoas LGBT no Brasil;

• O Executivo Federal não implementa na sua totalidade o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT;

• Centenas de adolescentes e jovens LGBT são expulsos diariamente de suas casas;

• Milhares de LGBT são demitidos ou perseguidos no trabalho por discriminação sexual;
 
Travestis, Transexuais, Gays e Lésbicas abandonam as escolas por falta de uma política de respeito à diversidade sexual nas escolas brasileiras;

• Os orçamentos da união, estados e municípios, nada ou pouco contemplam recursos para  ações e políticas públicas LGBT;

• O Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Municipais precisam pactuar e colocar em prática a Política Integral da Saúde LGBT;

• As Secretarias de Justiça, Segurança Pública, Direitos Humanos e Guardas-Municipais não possuem uma política permanente de respeito ao público vulnerável LGBT, agredindo nossa comunidade, não apurando os crimes de homicídios e latrocínios contra LGBT e nem prendendo seguranças particulares que espancam e expulsam LGBT de festas, shoppings, e comércio em geral.

1ª Marcha Nacional contra a Homofobia - 1º Grito Nacional pela Cidadania LGBT e Contra a Homofobia
19 de maio de 2010




A Direção da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT, reunida em 02 de março de 2010, resolveu convocar todas as pessoas ativistas de suas 237 organizações afiliadas, assim como organizações e pessoas aliadas, para a 1ª Marcha Nacional contra a Homofobia, vinda de todas as 27 unidades da federação, tendo como destino a cidade de Brasília. No dia 19 de maio de 2010, será realizado o 1º Grito Nacional pela Cidadania LGBT e Contra a Homofobia, com concentração às 9 Horas, no gramado da Esplanada dos Ministérios, em frente à Catedral Metropolitana de Brasília.

Informações sobre a marcha: http://www.abglt.org.br/

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Depois de tua partida (Érica)

Nu Azul - Pablo Picasso

Jogada em um canto da sala fria
Abraço tua fotografia esmaecida
Invadida pela dor de tua partida
Sinto-me perdida e vazia

Desde aquele dia do adeus
Não consigo abrir as janelas
Todos meus pensamentos são teus
Todas as vontades amarelas

Quero reagir, mas não consigo
Meu coração pulsa apático e abatido
Meu corpo do teu corpo necessita
Minha alma sem tu' alma se marchita

Busco compreender tua decisão
Tento explicar tuas razões
Imagino-te vivendo outras paixões
Dançando com alguém nossa canção

Minha boca por tua boca implora
Minha cobiça por teus lábios me devora
Sinto por toda parte o teu cheiro
Imagino-me beijando teu corpo inteiro


Das noites de amor, loucura e paixão
Hoje me resta somente o desespero
Dos risos, carícias, sabores e beijos
Só tenho lembranças e desejos

sábado, 8 de maio de 2010

Jardim do prazer (Érica)

Henri Matisse Joie de vivre



Beijos com sabor de paixão
Olhares cheios de luxúria
Carícias plenas de tesão
Bocas se devorando com fúria

Tua língua despertando meu desejo
Meu suor misturando ao teu cabelo
Tuas mãos arrancando-me gemidos
Aflorando os desejos retraídos

Sinto-te sobre mim cavalgando
Ao ritmo frenético da emoção
Contemplo tua respiração ofegante
Sentindo palpitante teu coração

Nossas carnes trémulas e ferventes
                              Domadas pelos sonhos insconscientes                              
                            Entregando-nos ao poder da fantasia                            
Vamos disfrutando-nos dia a dia. 

domingo, 2 de maio de 2010

VIDA REAL (Érica)


Injustiça, impiedade, violência e muita maldade
Fecho os olhos para não ver tamanha crueldade
Na mídia sensacionalista, vejo sangue e muita matança
Todos morrem, independente se jovem, mulher ou criança

O afán pelo lucro fácil, o desejo de se enriquecer
Levam muita gente boa, nesse mundo a se perder
As guerras pelo poder, por território ou religião
fazem de muitos inocentes reféns dessa perversão

Mulheres são iludidas por promessas de redenção
Entregando suas vidas no meio de uma explosão
Em diferentes lugares do planeta crianças escravizadas
Em minas, canaviais e usinas, exploradas e maltratadas

Meninas e meninos de rua se prostituindo ou se drogando
Famintos, maltrapilhos, roubando ou mendigando
O racismo e o preconceito vão marcando e excluindo
Aos negros, aos índios e aos gays vão ferindo

Apesar de muitas lutas, passeatas e protestos conscientes
As pessoas continuam cegas, mudas, surdas e indiferentes
No mundo impera o padrão dos que se acham patrões
Maltratam e ferem pessoas com suas injustas ações

O mundo está mesmo desajustado
e eu no meu canto calado,
vou vendo:

Profissionais com licença para matar
Bandidos com direito de mandar
Pais vendendo filhos, para o pedófilo abusar
Filhos matando pais, para com a herança ficar

O dinheiro tudo pode, o poder tudo permite,
A mídia tudo distorce, o povo em tudo acredita
O governo não muda, a igreja não salva
A polícia não cuida e a escola não educa


E eu?.... Eu vou seguindo minha vida
Como se não tivesse nada a ver com isso...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Cenas (Érica)

(La femme blonde - 1919 : Albert Marquet)




Imagens distorcidas Telas borradas
Cenas montadas
Luzes apagadas

Frio, medo, escuridão
Solidão, anseio, indecisão

A tristeza domina
No meu peito em dor
Minh´alma abomina
O teu desamor

Sombras que assombram
Gritos que ecoam
No seu coração de lata
E aos poucos, sua indiferença
 me mata.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Poeta (Érica)


Antes de dormir folheio um livro

cujos versos meus olhos sofregos recorrem

procurando os segredos que ele traz dentro

palavras palpitantes que em mim ressoem


pensamentos que meus sentimentos expressem

balsámos para minha alma em dor

gotas de orvalho que meus lábios molhem

afastando de mim o dessabor


Na literatura busco refúgio

para meu desalento e solidão

tento encontrar novos mundos

que preencham o vazio do coração


Na leitura de um poema de Florbela

Sinto na sua essencia a alma dela

Alma dolorida, porém límpida

Alma de mulher e de poeta


Penso comigo: ´vou ser poeta´

Pra revelar meu amor à minha amada

Pra dizer que sem ela sou incompleta

Declarando-lhe que estou enamorada

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Distribuição de camisinhas anti estupro no Mundial da África do Sul - 2010


Devido ao grande número de estupros que ocorrem todos os dias no continente africano, serão distribuídos 30.000 de preservativos anti estupros durante a Copa de 2010. A repotagem é de EUROPA PRESS 15/04/10 - In: http://www.marca.com/2010/04/15/futbol/mundial_2010/1271339267.html


Proponen distribuir 30.000 condones antiviolación para el Mundial de Sudáfrica: Las violaciones son delitos especialmente frecuentes en el país sudafricano

Una doctora sudafricana ha propuesto distribuir de forma gratuita de cara al Mundial de fútbol que este verano se celebrará en Sudáfrica 30.000 unidades de un dispositivo conocido como 'condón antiviolación', que consiste en una funda de plástico que cuenta en su interior con aristas aserradas y ganchudas que la mujer se introduciría en el interior de su vagina como un tampón y que atraparía el pene del hombre en caso de producirse un asalto sexual. 
El dispositivo, cuyo nombre es Rape-aXe, fue inventado por Sonnet Ehlers, una doctora que ha atendido a numerosas mujeres víctimas de violaciones en Sudáfrica, un país donde, denuncia, este delito es especialmente frecuente. En 2005 se probó el primer prototipo de este dispositivo en la provincia sudafricana de Ciudad del Cabo, y en la actualidad la doctora opina que ya está maduro para ser usado a gran escala.

El violador sentirá un gran dolor y no se lo podrá quitar a menos que vaya a un hospital

"Se trata de un aparato que se mete en la vagina, que es muy cómodo, y que en caso de asalto sexual atrapa el pene del hombre. Éste sentirá un gran dolor, y además no se lo podrá quitar a menos que vaya a un hospital, donde no podrá negar que ha penetrado a la mujer", afirmó Ehlers en una entrevista a Radio Netherlands.
Según la doctora, el miembro del agresor queda encapsulado dentro del dispositivo, por lo que no hay peligro de que, pese a que se pueda evitar la violación, el pene sangre y se traspase ningún tipo de enfermedad. Por otro lado, Ehlers niega que exista ninguna posibilidad de que el Rape-aXe cause daños internos a la mujer. Y en cuanto al agresor, los daños tampoco son permanentes, aunque sí las cicatrices que provocan las aristas cortantes.
Hay polémica porque se considera que estos condones pueden provocar una conducta más violenta del violador

Se trata de un dispositivo muy polémico, que le ha valido a la doctora acusaciones de odiar a los hombres. Se le reprocha, por ejemplo, que si el hombre queda atrapado es posible que se vuelva más violento y pueda matar a la mujer. Frente a esto Ehlers responde en su página web oficial que "siempre que una mujer sufre una violación corre el peligro de que la maten".
En cuanto a la posibilidad de que el Rape-aXe pueda ser usado por mujeres con la intención de vengarse o dejar en evidencia a hombres que en ningún momento traten de sobrepasarse con ellas, Ehlers reconoce que es una posibilidad, y ofrece un consejo: "No pongas lo que te pertenece donde no te pertenece y nunca tendrás problemas".
Por último, frente a los que tachan el Rape-aXe como un "dispositivo medieval", la doctora sostiene que la violación es "un acto medieval". Este dispositivo aún no está a la venta en Sudáfrica, ni se ha usado más allá de experimentos puntuales con voluntarios.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

terça-feira, 9 de março de 2010

Os 100 anos do 8 de março


Ato Público do Centro Popular da Mulher de Goiás CPM/UBM
8 de Março - 2010

Enquanto escrevo, mulheres iguais a ti acordaram mais cedo. Talvez com aquela ansiedade que antecede as batalhas nem tenham tido tempo ou paciência para passar manteiga no pão ou batom nos lábios. Andam apressadas, correm, “coração disparado”, pois hoje é o 8 de março. Para que este 8 de março novamente houvesse quanto trabalho foi preciso! Gerações e gerações mantiveram a jornada pela emancipação das mulheres e, neste ano, o 8 de março chega a seu centenário. O mundo mudou bastante, muitos foram os avanços, mas ele permanece velho e arcaico. Persistem as iniquidades do capitalismo, e as mulheres – apesar das conquistas – seguem vítimas de atrocidades e preconceitos.

Desde que assinei a ficha de integrante do contingente de construção do mundo novo, passei a conhecer essas mulheres iguais a ti que – de um elevado de um teatro, ou de cima de uma cadeira ou de um caminhão, ou às vezes mais altas tão somente pelo salto alto das sandálias – argumentam com paciência, ou a impaciência de quem é alvo da surdez da sociedade (e muitas vezes dos(as) próprios(as) companheiros(as) e camaradas); nos sacodem com voz doce ou estridente; enfim, nos apresentam a verdade de que não haverá mundo novo se as mulheres continuarem vítimas de violências, preconceitos e discriminações.

Essas mulheres iguais a ti nos dizem que, sim, libertar o proletariado e a humanidade da opressão de classe com certeza é uma grande e bela obra. Mas essas guerreiras e princesas do porvir, essas mulheres iguais a ti, nos dizem que, todavia, nada será realmente belo se as mulheres continuarem sendo tratadas como na época das cavernas.

Em Goiânia, conheci um “abrigo de mulheres”, muros altos, soldados à porta, refugiadas com a prole à volta, privadas da liberdade, foragidas da violência de seus maridos, espancadas, queimadas, ali exiladas, pois se retornassem ao lar seriam vítimas de uma violência ainda maior.

Há uma gravura de um artista plástico judeu, Gershon Knispel, que retrata Olga Benário Prestes nos campos de concentração da Alemanha. Está altiva, mas pálida e triste... Dá vontade de pular para dentro da gravura para libertá-la, para que amamente Anita, para que alimente a luta.

Olga, bela, brava, culta, nos olhos o verde manso e doce das folhas de cana. O nazismo a considerava uma ameaçava. Ela atravessou o Atlântico a mando do amor e da luta de classes, mas a Gestapo tinha garras longas. Nem a largura do oceano foi o bastante para protegê-la. Foi entregue grávida à ditadura de Hitler para perecer num campo de concentração nazista. Esse talvez seja o crime que mais bem simbolize a violência política do Estado Novo.

Quantas Olgas estão adormecidas em nossas milhões de Marias? Um mundo novo, de fato, só poderá ser edificado se as mãos sensíveis e mágicas dessas milhões de Marias despertadas participarem de sua conquista e construção.

Por Adalberto Monteiro :  Jornalista e poeta.
 Presidente da Fundação Maurício Grabois e editor da revista Princípios

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

“Mulheres entre luzes e sombras”

Ipas promove exposição fotográfica “Mulheres entre luzes e sombras” no Congresso Nacional em março


Ipas Brasil realizará, de 23 de março a 8 de abril, no espaço mais nobre da Câmara dos Deputados em Brasília – o Corredor de Acesso ao Plenário -, a exposição fotográfica “Mulheres entre luzes e sombras”, do fotógrafo João Roberto Ripper, amplamente reconhecido como um dos melhores fotógrafos brasileiros que trabalha com temas sociais. A iniciativa tem a parceria das seguintes organizações: CFEMEA, Articulação de Mulheres Brasileiras, Articulação Nacional de Mulheres Negras, Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, Plataforma Dhesca – Relatoria Direito à Saúde, Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro, Liga Brasileira de Lésbicas, Jovens Feministas, e Fórum Nacional de Mulheres Negras.

A exposição foi selecionada no edital aberto pelo Espaço Cultural Câmara dos Deputados e considerada de grande importância para a sociedade.

A iniciativa versa sobre mulheres ameaçadas em seus direitos. Mulheres que têm de mergulhar em si mesmas e nos contatos com as pessoas que amam, buscando, sem seus arquétipos, equilíbrio, alegria e força para resistir às discriminações de que são vítimas.

Numa divisão temática, a exposição apresenta quatro blocos que são, ao mesmo tempo, distintos, mas que se entrelaçam, pois pretendem contar histórias que apresentam a vida dessas mulheres, como se formassem um todo.

Os blocos, que têm o objetivo de discutir a questão da mulher, seus direitos e opressões, estão divididos da seguinte maneira:

Bloco 1 - Corpos explorados - A vida profissional; o trabalho como meio e busca de si mesmas;

Bloco 2 – Corpos Violados – A violência contra as mulheres, marcada por uma desigual distribuição de poder, traduzindo-se pela omissão, por palavras ou ações que afetam a integridade física, psicológica ou sexual;

Bloco 3 – Corpos ameaçados - O universo proibido; as mulheres perseguidas pelo fato de terem cometido algum dia um aborto e as mulheres que podem assumir os caminhos e decisões sobre seus corpos;

Bloco 4 – Corpos livres - As mulheres que conseguem transpor obstáculos, reconstruir forças para seguirem mulheres, mães, conselheiras, fazedoras, contadoras de histórias de vida, cidadãs.

A exposição também contará com a apresentação artística do grupo Loucas de Pedra Lilás, especializadas em promover, através do teatro e com humor, as posturas cidadãs, quer sejam nas relações entre homens e mulheres, quer sejam nas questões urgentes e atuais como educação sexual e reprodutiva ou ainda prevenção e combate à violência, entre outras.

Exposição “Mulheres entre luzes e sombras”
Visitação: 23 de março a 8 de abril de 2010, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h
Local: Corredor de Acesso ao Plenário – Congresso Nacional, Brasília

Fevereiro 2010 - Evanize Sydow  Fonte:  http://www.ipas.org.br/revista/jan_fev10.html#AemD

 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Posse do Conselho Estadual LGBTT de Goiás

A Semira empossou nesta 4ª.feira, 10/02/2010, os membros de três novos Conselhos constituídos pelo Governo do Estado: da Juventude (Conjuv), para Assuntos Indígenas (CEAI) e do Conselho Estadual de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais- (LGBTT), em solenidade presidida pela la. Dama do Estado Raquel Rodrigues.

Beth Fernandes - presidente da ASTRAL - disse da marca profunda que deixa nesse segmento de gênero o preconceito e a discriminação, mas que agora com o Conselho pode-se construir uma cidadania sem constrangimentos, “hoje com essa estrutura e atitude do Governo goiano fico emocionada, e o mundo se torna plural, o que faz o mundo mais colorido, e não só cor de rosa”.





Componentes da mesa

Participantes (eu lá no meio)
Beth Fernandes


A criação desse Conselho não foi uma decisão da Semira ou do Governador de Goiás, mas foi conquistado com muita luta do movimento LGBTT e com o sangue de cada homossexual assassinado em nosso estado.
Espero que esse seja um espaço democrático, de reinvindicações e que os conselheiros possam deliberar sempre em favor da justiça, da igualdade e da dignidade para a população LGBTT do Estado de Goiás.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Isabel Allende conta histórias de paixão

Gostaria de compartilhar esse vídeo onde  a escritora e ativista Isabel Allende fala sobre mulheres, criatividade, a definição de feminismo e, claro, sobre PAIXÃO.


http://www.ted.com/talks/lang/por_br/isabel_allende_tells_tales_of_passion.html


Vale a pena assistir!

domingo, 10 de janeiro de 2010

LA VIRGEN DE LOS DESEOS

Depois de um tempo sem postar, gostaria de compartilhar com vocês uma "oração" bem interessante que conheci na página: http://mujerescreando.org/

Oración a Nuestra Señora de los Deseos
Por Gabriela Blas

Virgen de los Deseos, amante de la vida,
hermana de los sueños e hija de la esperanza,
protégenos a todas nosotras
negras, morenas y blancas;
indias, putas y lesbianas;
y haz brotar desde la tierra las ilusiones necesarias
para que sigamos luchando.

Líbranos de racistas, homofóbicos, corruptos,
machistas y clasistas;
también de predicadores y curas hipócritas
para que nuestras hermanas pobres de rebeldía
vuelvan a soñar y en ellas se siembre la alegría.

Protégenos de los dioses que quieren imponernos
para que no nos priven de probar la tentación de
ser libres.

Haz que no falte el pan en nuestra casa,
que tampoco falte la miel que endulza nuestros días
y el vino que acopaña nuestras fiestas,
para que cada día celebremos por la vida,
por el amor, la ternura y las esperanzas.

No te olvides Virgen Nuestra
de todas nuestras hermanas, madres y abuelas
que yacen en tu vientre (la tierra),
para que con toda tu sabiduría
aprendamos a amarnos las unas a las otras
tanto como tú nos amas Virgen amante y amiga.

Haz que creamos en nosotras mismas
y que la desobediencia lata en los corazones de
todas las niñas
para que este deseo de ser felices se renueve cada día
en todas las que vienen y vendrán, por siempre...

Amén


TEXTO E FOTO RETIRADOS DE http://mujerescreando.org/