sábado, 16 de julho de 2011

Em busca da Felicidade

Outro dia visitei um blog muito bonito " Em busca da Felicidade " cujo título inspirou-me a escrever esse post.

http://fabrineceo6.blogspot.com/


Desde criança quando me perguntavam qual era o meu maior sonho, eu sempre respondia: “Ser feliz”. Sempre sonhei e continuo sonhando em ser feliz. Não há nada que eu tenha buscado mais, em toda minha vida, que a felicidade.

Nesse exato momento estou a perguntar-me: “Felicidade existe? Se ela existe porque não a encontrei ainda? Ou será que a encontrei e não me dei conta?” Essas indagações me inquietam e me fazem buscar em minha memória algo que vislumbre o que eu concebo como felicidade. E o que eu encontro nesse baú de lembranças, nesse emaranhado de experiências que a vida me proporcionou? Vamos ver...

Volto aos cinco, seis, sete, oito anos... o que vejo? Uma menina triste, calada, retraída, maltratada, abusada... uma menina que desperta no meio da noite e se encontra sozinha em casa, na companhia de outras duas irmãs menores que ela... uma menina que sobe no pé de manga e aí passa o dia para não ser espancada, uma menina de joelhos sobre pedrinhas debaixo de um sol escaldante durante horas, uma menina que serve de objeto para o desejo perverso de um adulto...

No meio de todas essas lembranças não consigo vislumbrar a felicidade, acho até mesmo que ela, se existe passou longe, muito longe de mim naquela época... Mas insisto com o passado, tento driblar essas lembranças ruins e encontro outra menina que agora sorri quando joga bola na rua, solta pipa, anda de bicicleta, vai à escola, abraça seu pai que chega das longas viagens a trabalho, deita no colo de sua avó... Será que nesses momentos eu fui feliz?

Continuo vasculhando o baú de minha vida e encontro uma adolescente tímida, mas contestadora, que adora estudar, ir à igreja, cantar, sonhar acordada e namorar... uma adolescente que teve que sair de casa aos 14 anos, se virar, ser adulta antes do tempo; uma adolescente que de repente se viu apaixonada por sua melhor amiga e que por esse motivo teve que enfrentar o preconceito e contestar suas próprias crenças e convicções... Fui feliz nesse período, apesar de todo sofrimento?

O baú continua aberto e me vejo aos dezenove estudando e trabalhando como louca para sobreviver; aos vinte e dois anos, terminando a faculdade; aos vinte e cinco deixando para trás minha família para ir em busca de outros sonhos, em outro país; aos vinte e nove regressando para recomeçar.... Fui feliz nesses momentos? Sou feliz hoje, depois de ter vivido tudo o que vivi? Não sei, não sei se fui feliz. Não sei se sou feliz, mas acho que não.

Creio que ao desejar tanto a felicidade, eu idealizei um tipo de felicidade que não existe. Alguém me disse certa vez que a felicidade não É algo contínuo, que ninguém é feliz, que estamos ou não estamos felizes. É só uma questão de estado. Se isso for verdade, preciso convencer-me a parar de sonhar em ser feliz. Mais que isso, devo convencer-me de que apesar de todo sofrimento que a vida me destinou, eu já estive feliz e, em determinados momentos, até extremamente feliz...

Fui feliz no meu primeiro dia de escola, quando aprendi a andar de bicicleta, quando dei meu primeiro beijo, quando me apaixonei pela primeira vez... fui feliz quando nasceram meus sobrinhos e minha sobrinha, quando passeava à margem de La Seine ou nas pequenas ruas de Paris... fui feliz durante a leitura de livros que me marcaram, ao ouvir meus cantores preferidos, diante das telas de grandes artistas. Fui feliz quando ensinei outros a enxergarem a vida de outra forma e a perceberem que o mundo era deles também, quando fiz pessoas sorrirem ou chorarem com minhas histórias, quando abracei minha família depois de anos de ausência... Enfim,  fui feliz, extremamente feliz nos braços de todas as mulheres que eu amei, independente se elas me amaram... Ainda essa semana a vida me agraciou com momentos inesquecíveis durante os quais eu fui infinitamente feliz...

Contudo, continuo e continuarei sempre em busca da felicidade, talvez não de uma felicidade milagrosa e duradoura, mas de pequenos momentos felizes que como raios de sol brilhem e iluminem a minha vida, afastando a escuridão e a tristeza...

Érica

19 comentários:

Sandro Batista disse...

Lindo texto, reflexão maravilhosa, e uma retrospectiva de tirar o fôlego!

Pra mim felicidade não é estado de espírito. Estado de espírito é alegria. Tive momentos alegres e tristes ao longo da vida, e sei que terei muitos mais pela frente (pelo menos assim espero!). Mas pode-se estar triste e ser feliz, e estar alegre, e ser infeliz! Felicidade é algo contínuo, que pode ficar mais evidente associado à alegria, mas é nos momentos de profunda tristeza que percebo o quanto eu sou feliz! Sou feliz porque consigo, mesmo triste, me levantar, enxugar as lágrimas, por remédio nas feridas, e seguir em frente. Sou feliz porque sinto emoções, porque sinto amor, sinto raiva, sou amado, sou odiado, enfim, sou feliz porque sou uma pessoa comum... Isso pra mim é felicidade, é essa força interior que me move sempre pra frente, sempre pro algo, sempre pra sempre...

Abração

http://estacaoprimeiradosamba.blogspot.com/

James Rocha disse...

A verdade é que a "busca da felicidade" é algo sem fim. Sempre falta algo e sempre faltará.

Gláu ツ disse...

Ótimo texto *--*
amei estou seguindo tbm seu blog ^^

http://lovesongone.blogspot.com/

Sayuri Suguino disse...

Nossa, lindo lindo lindo o que tu escreveu!
Sabe, creio eu que a felicidade não é algo pleno, não dá pra encontrar a felicidade ou esperar ela chegar, pois ela está no nosso dia-a-dia, nos detalhes, nos pequenos momentos! Ás vezes essa busca pela tão esperada felicidade faz com que não vemos que ela sempre esteve aqui.

http://mmmorango.blogspot.com

Tati disse...

Concordo com as considerações feitas pelo Sandro.

E mais: como diz o filme "Na Natureza Selvagem", a felicidade só existe se ela for compartilhada!

André Alves disse...

Devemos buscar a felicidade e devemos viver cada momento plenamente. Sabendo que a felicidade está no caminhar e não no fim do caminho.
Percorrer o caminho e contemplar a paisagen (a vida) são mais importantes do que chegar lá.


"Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino; mas logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino." I Co. 13:11.

Estou seguindo seu blog
http://atras-dos-olhos.blogspot.com/

Lucas D.F. disse...

sabe Érica ao longo do tempo fui vendo que melhor ser mais alegre que feliz
felicidade sempre dura pouco e alegria é um estilo de vida =)
abraços

Novidades e Notícias disse...

Seu blog é muitoo legal !
Parabéns !

:*

www.mini-fofoquinhas.blogspot.com

Paulão Fardadão Cheio de Bala disse...

Conheci uma guria q era assim, tudo q queria da vida era ser feliz. No dia em que conseguiu ficou sem objetivos na vida e acabou se matando.

Ana Ferreira disse...

Achei o seu texto muito triste e, como dizer, belo ao mesmo tempo.
Sua retrospectiva emociona e a conclusão do que é, afinal, a tal felicidade deixa o leitor pensativo...

Gostei do seu blog.
Beijinhos,
Ana - Na Parede do Quarto

Vanessa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vanessa disse...

Buscamos uma vida perfeita em todos os sentidos todo o tempo muitas vezes sem percebe, mas o que seria da vida sem as imperfeições que nos motivam sempre a querer fazer melhor em uma próxima vez, nos ensinando assim a viver nessa sociedade perfeitamente imperfeita.
em busca da felicidade:s

Lucas Adonai disse...

Muito belo ;D

Carla disse...

Texto lindo apesar dos momentos tristes!
E nossa vida é assim mesmo... Essa montanha russa de emoções!
Pra mim a busca pela felicidade é uma constante! Temos momentos felizes a todo momento, seja um sorriso, um olhar, um abraço!
Só temos que estar abertos pra encontrar essa felicidade pelo nosso caminho!
;)

Fernanda disse...

Que trajetória grávida de complicações e possibilidades, Érica. Quanta coisa você venceu sem que seu coração ficasse de lâmpada queimada. Não creio que eu concorde que a gente está ou não está feliz, em vez de ser ou não ser... Acredito que felicidade é uma decisão, e, assim sendo, pode-se manter feliz na tristeza, tanto quanto continuamos sendo criativos, amantes de cinema ou detestantes de futebol quando estamos tristes. O que somos de verdade não muda. O que somos de verdade é também, ou principalmente, o que escolhemos ser. Tristeza não é o contrário de felicidade, e sim de alegria. Mesmo tendo tantos momentos não alegres, eu acredito de coração que você seja, sim, uma pessoa feliz. Porque optou por isso. Escolheu focar a luz sobre as "horinhas de descuido" rosianas que compõem felicidades. Se é uma escolha que fez, ela é sua e você é dela. Beijos, felicidades e sucesso!

Carol disse...

Estou em busca da felicidade . E axo que por mais dificil q seja, é possivel!
bjs

Myla disse...

Acredito que não existe a felicidade plena, o que existem são momentos felizes... e a felicidade esta nas coisas simples.
Gostei daqui tambem to favoritando para fazer parte das minhas leituras de férias :)
http://versosembossa.blogspot.com/

Blog UaiMeu! disse...

se a gente é feliz não precisa de mais nada!
venha conhecer nosso blog
Abraços
http://uaimeu10.blogspot.com/

Kiko Lemos disse...

Ótimo texto, não achamos a felicidade é ela que nos acha. Gostei de verdade